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quarta-feira, junho 1

 

Cristãos sem irmãos

Mais uma vez mais do mesmo. Apertar o cinto ou lá o que é. Em suma, mais impostos para quem nunca engana o fisco ou foge aos impostos (até porque não tem como o fazer), menos aumentos para quem já ganha pouco, mais tempo de trabalho para quem tem de trabalhar, mais descontos para quem desconta, menos serviços públicos para quem precisa dos serviços públicos.
Para além das ideologias, o cristianismo afirma(-se em) valores. Valores que enformaram a nossa cultura (judaico-cristã) e a criaram a nossa civilização ocidental. Se cremos que Deus criou o homem e a mulher à Sua imagem e semelhança e que, portanto, somos todos irmãos, isso não pode deixar de ter consequências na vida social e política de cada cristão. Cada homem e mulher tem uma dignidade única e sagrada e a vida comunitária é uma dimensão inerente à condição humana, à imagem de um Deus Trinitário.

Sabemos também que valores cristãos sociais e políticos são esses de que nos reclamamos e que se fundam na natureza humana: a dignidade do homem; a participação na criação e no bem comum; a justiça social; a solidariedade; a liberdade. Daqui decorrem direitos e deveres de e para cada um.
Entre esses direitos conta-se o de garantir condições materiais para uma vida digna. Assim, o combate à pobreza e à exclusão social devem ser encarados como prioridades essenciais na construção da coisa pública. É este o sentido da opção preferencial pelos pobres.
Contudo, é má tradição da Igreja – da Igreja que somos todos e não apenas da sua face institucional – confundir a exigência da opção preferencial com uma assistência caritativa (que também é fundamental garantir). Poucos cristãos olham de frente para as causas da pobreza e da exclusão social, como se tal fosse, como nos querem doutrinar os políticos do status e os media, uma inevitabilidade sem saída – e que, assim, não tivesse resolução por via política.

O nosso erro (o nosso pecado social) está na recusa em reconhecer que a pobreza e a exclusão social se enraízam no modelo de desenvolvimento adoptado, ou em pensar que, em virtude da globalização, nada se pode fazer senão aceitar esta fatalidade de cabeça baixa e braços cruzados. Como se, subitamente, estivéssemos dispensados de trabalhar por um mundo mais justo, solidário e humano. Transformando-nos em cristãos resignados com a dor alheia. Passando ao lado do próximo que sofre. Como se já não tivéssemos irmãos.

Carlos Cunha [A QUINTA COLUNA]

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