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segunda-feira, maio 16

 

Quanto vale a nossa herança espiritual?

Ao longo da história, as religiões funcionaram como pólos de desenvolvimento espiritual dos povos. O seu alicerce principal foram as escrituras sagradas que se apresentam como testemunhos de uma vivência espiritual, agentes inspiradores de valores morais e éticos e repositórios de leis que visam regular e enaltecer o relacionamento entre os seres humanos. A própria vida dos Fundadores das grandes religiões e dos Seus seguidores mais conhecidos estão repletas de exemplos de heroísmo, sacrifício e auto-disciplina que inspiraram realizações extraordinárias no campo da arquitectura, da música e de outras artes. Torna-se óbvio que as grandes religiões foram dinamizadores do processo civilizacional.
Se considerarmos que vivemos um ressurgimento do fenómeno religioso, podemos então questionar-nos: porque é que esta extraordinária herança espiritual não é o objectivo central de quem tem “fome espiritual”? Como explicar que tantas pessoas procurem fenómenos de teor obscurantista ou de religiosidade questionável?
A vida dos Profetas não tem hoje menos significado do que tinham há alguns séculos atrás; as escrituras sagradas não mudaram; os princípios morais que contêm não perderam a sua validade. Quem procura a sua identidade espiritual poderá encontrar conforto nos Salmos ou nos Upanishads; quem acredita que existe algo mais que transcende a realidade material pode ficar profundamente emocionado com as palavras que Jesus ou Buda falam ao coração humano. Desta forma, é estranho que a pesquisa pela verdade espiritual não tenha levado a maioria das pessoas aos percursos religiosos tradicionais.

A sociedade em que hoje vivemos é profundamente diferente das sociedades em que surgiram as grandes religiões mundiais. Extraordinários progressos científicos e tecnológicos alteraram o funcionamento (e o conceito) da sociedade e até da própria existência. A nossa atitude e relacionamento com a autoridade mudou profundamente desde a adopção de processos democráticos de tomada de decisão. Temos hoje preocupações totalmente diferentes do que existiam há séculos atrás: engenharia genética, energia nuclear, problemas ambientais, identidade sexual… Em grande medida, a falta de fé na religião tradicional foi uma consequência inevitável da incapacidade para lhe descobrir a orientação necessária para viver a modernidade de forma coerente.
Além disto houve a chamada globalização e integração de culturas. Um pouco por toda a parte, pessoas que foram educadas de acordo com um determinado modelo religioso viram-se em contacto regular e frequente com outras pessoas cujas crenças e práticas religiosas são totalmente irreconciliáveis com as suas. Daqui surgiram tensões e conflitos; mas também surgiu o reavaliar dos valores religiosos recebidos e a descoberta de valores comuns (o diálogo e as actividades inter-religiosas!).
É assim que neste mundo multi-cultural, multi-étnico, multi-religioso, que muitas pessoas se podem questionar: Se alguém tem crenças que parecem profundamente diferentes das minhas, mas os seus valores éticos e morais merecem a minha admiração, o que é que me poderá levar a afirmar a superioridade da minha religião? Por outro lado, se as grandes religiões partilham valores básicos comuns não serão apenas as interpretações sectárias que erguem barreiras artificiais entre o indivíduo e os seus vizinhos?

Marco Oliveira [POVO DE BAHÁ]

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