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quarta-feira, maio 25

 

Os limites do homem: a ciência e a moral (1)

(as partes entre aspas do texto que se segue são palavras do cardeal Ratzinger proferidas alguns dias antes de se tornar o Papa Bento XVI - os próximos posts que aqui escreverei serão baseados nessas palavras)

Através do crescente progresso científico, o homem "sondou os recônditos mais íntimos do ser, decifrou as componentes do ser humano e é agora capaz, por assim dizer, de “construir” por si próprio o homem, o qual, deste modo, já não vem ao mundo como dom do Criador, mas como produto do nosso agir, produto que pode portanto ser até seleccionado segundo as exigências por nós fixadas."

É por isso que, cada vez mais o homem hesita quanto à sua definição. Porque ela é cada vez mais uma auto-definição. "Assim, sobre este homem, já não brilha o esplendor do seu ser “imagem de Deus” – que é aquilo que lhe confere a sua dignidade e a sua inviolabilidade – mas apenas o poder das capacidades humanas. Ele já não é mais nada senão “imagem do homem” – mas de que homem?"

Esta incapacidade do homem para se definir a si próprio sem referências a algo que se situe além do próprio homem conduz a que os grandes problemas planetários sejam vistos apenas como simples problemas técnicos e não problemas de ordem moral.

"Os grandes problemas planetários: a desigualdade na repartição dos bens da terra; a pobreza crescente, ou melhor, o empobrecimento; a exploração da terra e dos seus recursos; a fome" são sobretudo problemas políticos, isto é, problemas que resultam de escolhas erradas porque efectuadas de acordo com princípios morais errados.

Estes grandes problemas planetários mostram "que o crescimento das nossas possibilidades não é acompanhado por um igual desenvolvimento da nossa energia moral. A força moral não cresceu conjuntamente com o desenvolvimento da ciência, mas, pelo contrário, diminuiu, porque a mentalidade técnica relega a moral para o âmbito subjectivo, enquanto que o que nós precisamos é de uma moral pública, duma moral que saiba responder às ameaças que pesam sobre a existência de todos nós."

Esses grandes problemas planetários revelam aliás que a força moral não é apenas necessária para viver individualmente com as pessoas que vemos e sentimos todos os dias mas é igualmente necessária na vida do homem em colectividade. Nas suas opções políticas e sociais.

As opções políticas e sociais não devem apenas reflectir critérios de eficácia resultante das possibilidades técnicas e científicas.

Porque, "o verdadeiro e mais grave perigo neste momento encerra-se precisamente neste desequilíbrio entre possibilidades técnicas e energia moral".


Timshel [TIMSHEL]

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