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quarta-feira, abril 27

 

Que significa crer no Espírito Santo, no Espírito de Deus?

A propósito do conclave, muitos trouxeram à baila a terceira pessoa da Santíssima Trindade. Disseram-se muitos disparates, sobretudo para tentar pôr a ridículo uma realidade que é para nós cristãos fundamento indispensável para a consolidação da nossa Fé, bem como orientadora de toda a nossa acção. Lembrei-me, por isso, de traduzir (a partir da edição espanhola das Ediciones Cristandad) um pequeno excerto da obra "¿Existe Dios?" ("Existiert Gott?" no original, datado de 1978) do teólogo Hans Kung:
«Que significa para o homem de hoje crer no Espírito Santo, no Espírito de Deus? Significa aceitar com simplicidade e confiança que, pela fé, Deus se pode fazer presente no meu interior, que, enquanto força e poder de graça, pode conquistar o meu interior, o meu coração, o meu próprio eu. E esta fé permite-me afirmar confiadamente que o Espírito de Deus não é um espírito escravizante: é o Espírito de Cristo Jesus exaltado à direita de Deus, o Espírito de Jesus Cristo. E porque é exaltado à direita de Deus, Jesus é pelo Espírito, o Senhor vivente, o Determinante para a comunidade eclesial e para cada cristão. Partindo deste critério concreto eu posso examinar e discernir os espíritos: nenhuma hierarquia, nenhuma teologia e nenhum movimento entusiasta que pretenda apelar ao “Espírito Santo” prescindindo de Jesus, da sua palavra, comportamento e destino pode alegar a seu favor o Espírito de Cristo Jesus. Nesse momento chega ao seu limite toda a obediência, todo o assentimento e toda a cooperação.
Deste modo, então, crer no Espírito Santo, no Espírito de Cristo Jesus, significa saber que o Espírito Santo nunca é – e isto tem que se ter hoje muito em conta, dados os múltiplos movimentos carismáticos e pneumáticos – uma possibilidade do homem, mas sempre força, poder e dom de Deus. Não é o espírito profano do homem, das épocas, da Igreja, do ministério, do entusiasmo; é sempre o Espírito santo de Deus, que sopra onde quer e quando quer, que não se deixa instrumentalizar para justificar uma autoridade absoluta de magistério e governo, uma teologia dogmática carente de fundamento, um fanatismo piedoso ou uma falsa segurança na fé. Ninguém – seja bispo, professor, padre ou secular – “possui” o Espírito. Mas todos o podem pedir em qualquer altura (…)
Receber o Espírito Santo não significa, portanto, ser objecto de um acontecimento mágico, pelo contrário: trata-se da abertura interior à mensagem e, portanto, a Deus e ao seu Cristo crucificado, permitindo assim que o Espírito de Deus e de Cristo Jesus se apodere de nós. Crer no espírito Santo, no Espírito de Deus e de Cristo Jesus, implica crer no Espírito da liberdade. Porque, como diz Paulo, “onde está o Espírito do Senhor, aí está a liberdade” (2 Cor 3, 17): liberdade de culpa, da lei e da morte; liberdade na Igreja e no mundo; liberdade para agir, para amar, para viver com paz, justiça, alegria, esperança e gratidão. E isto, apesar de todos os obstáculos e coacções existentes na Igreja e na sociedade, apesar de todas as deficiências e fracassos. No entanto, sei que nesta liberdade do Espírito posso encontrar sempre valor, apoio, força e consolo, tal como foram encontrados por inúmeros anónimos nas suas grandes e pequenas decisões, medos, perigos, ânsias e esperanças. O Espírito da liberdade é, pois, o Espírito do futuro que me orienta a mim e orienta todos os homens para diante, não a um porvir consolador, mas a um presente comprometido no mundo de cada dia até que chegue a consumação final, da qual, pelo Espírito, já temos uma garantia (2 Cor 1, 22). Porque é neste Espírito que ponho a minha confiança, posso fundadamente – com respeito pela Igreja – não crer na Igreja, mas sim no Espírito de Deus e de Cristo Jesus dentro desta Igreja de homens: posso crer que existe a Igreja (credo sancta ecclesiam). E, porque fundo a minha confiança neste Espírito, posso dizer serenamente: creio no Espírito Santo.»

Rui Almeida [POESIA DISTRIBUÍDA NA RUA]

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