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quarta-feira, abril 6

 

Papa aos jovens

Eu tinha dez anos e vi-o no Porto, a subir a Avenida dos Aliados, de branco a acenar, bem disposto e pouco devo ter percebido – só me recordo da multidão que espreitava para o ver e da viagem de regresso a Aveiro, no comboio cheio de gente e esperança.
Apenas anos mais tarde pude beber com autenticidade as palavras que dirigiu aos jovens na primeira visita de João Paulo II a Portugal, na «missa para os jovens», em Lisboa, a 14 de Maio de 1982. Quase 23 anos depois, recupero a primeira parte de um extenso discurso e cito-o de um fôlego. Porque foi nos jovens e com os jovens que mais perplexidades se desenharam entre este Papa e crentes ou "assim-assim": no discurso e nos actos, nas palavras e nas omissões, todos vivemos a complexidade de um Reino anunciado, mas tantas vezes incompreendido, ou tantas vezes inalcançável. Perdoem-me que lhe roube as palavras, mas nesta sua Páscoa julgo que aquilo que fica são as palavras. Melhor: a Palavra.

«1. O Reino de Deus está próximo! Sim! “Dizei a todos: está próximo de vós o Reino de Deus!” (Luc. 10, 9). Foi com estas palavras que Jesus Cristo, ao enviar em missão os setenta e dois discípulos, lhes recomendou que anunciassem a Mensagem, como acabámos de ouvir no Evangelho de hoje. Mas estas palavras são dirigidas também aos cristãos de todos os tempos: a nós, portanto, que estamos aqui reunidos em nome do Senhor, em continuidade com os discípulos que as ouviram directamente. São dirigidas especialmente a vós, jovens, que aqui vos encontrais, esta tarde em tão grande número, cheios de entusiasmo e alegria, manifestando a vossa disponibilidade a Cristo e o vosso desejo de construir um mundo mais humano e cristão. Vós sois depositários desta grande esperança da humanidade, da Igreja e do Papa. Deus deu-me a graça da amar muito os jovens. Por isso, gostaria de falar-vos como um amigo fala ao seu amigo, com cada um individualmente, olhos nos olhos, de coração a coração. “O Reino de Deus está próximo!”. E quase me atreveria a dizer: estas palavras são dirigidas especialmente a vós jovens portugueses, filhos de um povo de missionários que, por todo o mundo, levaram essa mesma mensagem, como acentuou o Senhor Cardeal Patriarca, Dom António Ribeiro. […] Estando assim tão próximo, em Cristo, nosso Senhor e Salvador, o Reino de Deus está sempre diante do homem. É proposto aos homens, como uma missão a realizar, uma meta a alcançar. Nas diversas dimensões da sua existência, os homens podem, pois, aproximar-se dele ou dele afastar-se. Antes de mais, podem chegar a alcançá-lo em si próprios, e realizá-lo dentro de si. Mas podem também perdê-lo de vista, desviar-se da sua perspectiva. Podem até actuar contra ele. Podem mesmo propender para afastá-lo do homem; podem afastar o homem dele, e subtrair-lho. E no entanto, Cristo veio ao mundo para introduzir os homens no Reino de Deus, para inserir o Reino nos corações dos homens e no meio deles. Mais: Cristo confiou mesmo este Reino aos homens. Chamou-os para o trabalho pelo Reino de Deus. E este trabalho tem o nome de evangelização.

2. A palavra “evangelização” vem de “Evangelho”, que significa “Boa Nova”. O Reino de Deus constrói-se sobre este fundamento da Boa Nova. Mais ainda: ele mesmo é Boa Nova. É o Anúncio da salvação definitiva do homem. E aqui, poder-se-ia perguntar: o que é a “salvação”? Detenhamo-nos nas palavras de Isaías, ouvidas na primeira leitura da Santa Missa de hoje: “O espírito do Senhor repousa sobre mim, porque o Senhor me ungiu. Enviou-me a levar a boa nova aos que sofrem, a curar os de coração triste, a anunciar a libertação aos cativos e aos prisioneiros a liberdade, a proclamar um ano de graça do Senhor” (Is. 61, 1-2). […] As palavras de Isaías, que Jesus de Nazaré tomaria como programa da sua missão, contêm precisamente a boa nova acerca da salvação. O que é pois a salvação? É a vitória do bem sobre o mal, realizada no homem, em todas as dimensões da sua existência. A própria superação do mal já tem um carácter salvífico. A forma definitiva da salvação consistirá para o homem em libertar-se completamente do mal e em alcançar a plenitude do bem. […]»

Miguel Marujo [CIBERTÚLIA]

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