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segunda-feira, abril 4

 

João Paulo II

Quando frequentava a faculdade, um professor perguntou-nos se tínhamos alguma ideia sobre qual era o país com a mais poderosa máquina diplomática. A resposta de alguns foi imediata: "Os Estados Unidos" ou "A União Soviética". Com o professor a negar essas respostas, arrisquei: "O Vaticano". O professor concordou e acrescentou "Não se elege um Papa polaco por acaso". Não sei até que ponto aquele professor tinha razão, mas hoje, pensando no que foi o pontificado de João Paulo segundo, percebo que foi um período de tempo em que a Igreja Católica conseguiu induzir algumas mudanças no mundo e tentou acompanhar outras.
Durante os últimos vinte e cinco anos as comunidades católicas por todo o mundo ficaram marcadas pela figura de João Paulo II. Ciclicamente, aquele polaco de sorriso sereno surgia numa visita a algum país do mundo; era saudado por milhares de crentes e o seu rosto tornou-se familiar. Se foi um Papa conservador, ou se a Igreja Católica podia ter feito mudanças mais profundas no seu interior, isso é um debate que deixo para os católicos.
Para mim a imagem de Karol Wojtyla será sempre a do homem que abriu as portas da Igreja Católica ao diálogo inter-religioso. Creio que tudo começou com a célebre Jornada de Oração pela Paz, em Assis, em Outubro de 1986, quando vários lideres religiosos foram convidados para uma sessão de orações pela paz. Para um baha’i o acto era perfeitamente natural; Bahá'u'lláh afirmara: "Associai-vos com os seguidores de todas as religiões num espírito de amizade e fraternidade". Mas por ter sido uma iniciativa da Igreja Católica liderada por João Paulo II, e intensamente acompanhada pelos media, assumiu uma dimensão tremenda.


Lideres Religiosos em Assis, Outubro de 1986


Desde então o diálogo inter-religioso tornou-se uma prática corrente e perfeitamente aceitável para a grande maioria dos católicos. Os contactos e encontros entre cristãos, judeus, muçulmanos, baha'is, hindus, budistas e tantos outros sucederam-se um pouco por todo o mundo. Hoje para qualquer pessoa com um pouco de senso comum, o diálogo inter-religioso é o algo tão indispensável à construção da nossa Aldeia Global como o diálogo entre pessoas de diferentes culturas ou de diferentes etnias.
O mundo católico acaba, pois, de perder um homem fora do vulgar. Como baha'i, e observador do fenómeno religioso, deixo aqui a minha homenagem a essa figura tão marcante da Igreja. Faço votos para que o seu sucessor possa prosseguir o seu trabalho e, com a ajuda de Deus, consiga ainda melhores resultados.

Marco Oliveira [POVO DE BAHÁ]

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