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segunda-feira, março 14

 

Revolução Personalista 4 – da liberdade ou manifesto anti-neoliberalista

Ao contrário das mentiras que aqui disse anteriormente, ainda não vai ser hoje o final da série sobre "O Personalismo" de Emmanuel Mounier. Não resisto a deixar-vos com mais dois excertos do seu livro, desta vez sobre a liberdade. São apenas dois pequenos recortes antigos mas que me parecem merecer a nossa reflexão. Quando Mounier os escreveu, estava muito longe de saber que haveria de existir alguma coisa chamada neo-liberalismo. O seu texto desmascara duas premissas básicas dos neo-liberais normalmente enunciadas mais ou menos assim:
1. A minha liberdade acaba onde a liberdade dos outros começa;
2. Basta haver liberdade para haver desenvolvimento.
Repetidas as asneiras, passemos directamente à sua negação, pela voz de Mounier:

ninguém é livre sozinho
«Poderíamos perguntar o que aconteceria à comunicação num mundo em que cada liberdade surgisse isoladamente. “Só serei verdadeiramente livre, escreveu Bakounine, quando todos os seres humanos que me rodeiam, homens e mulheres, forem igualmente livres... Só me torno livre através da liberdade dos outros”. Fundamental observação: a reivindicação da minha própria liberdade está demasiadamente misturada com os meus instintos para não ser suspeita, e pode-se dizer com inteira justiça que o sentido da liberdade começa com o sentido da liberdade dos outros. Esta cooperação de liberdades é excluída dum mundo onde cada liberdade se não pode unir a outra, como pensa Sartre, senão esmagando-a ou fazendo-se esmagar por ela; inserida interiormente numa necessidade, semelhante liberdade só pode comunicar a necessidade. Não liberta aquele de que se aproxima, quando muito limita-se a arrancá-lo ao sono e a arrastá-lo no seu irresistível turbilhão. Ao contrário, a liberdade da pessoa cria à sua volta liberdade, por uma como que leveza contagiosa – tal como inversamente a alienação engendra alienação.

liberdade e liberdades
«A ideia de gratuidade é uma ideia de existência rica, e, numa condição demasiado insuportável, a liberdade mais não é, como dizia Marx, do que a “consciência de uma necessidade”. É um princípio, porque a consciência é promessa e iniciativa de libertação; só aquele que não vê a sua escravidão é escravo, mesmo quando feliz na sua condição. Mas esse princípio é ainda limitadamente humano. Eis porque, antes de proclamar a liberdade nas constituições, ou de a exaltar em discursos, temos de assegurar comuns condições de liberdade, biológicas, económicas, sociais, políticas, que permitam às forças médias a participação nos mais elevados apelos da humanidade; temos que nos preocupar com as liberdades, tanto como com a liberdade. Defender “a liberdade” sem outra indicação, sempre que um acto de poder ou estado de coisas a limitem, é condenarmo-nos a tomar posição ao lado das forças do imobilismo contra as forças dos movimentos. As liberdades de ontem são sempre ameaçadas pelas liberdades de amanhã. As liberdades da nobreza foram abaladas pelas da burguesia. As liberdades da burguesia estão ameaçadas pelas liberdades populares. A liberdade de todos pode comprometer a liberdade de alguns. É assim que as mais belas declarações de direitos podem cobrir, com a sua própria generalidade, simplesmente, como escrevia Marx, “a liberdade do homem egoísta, do homem separado do homem e da comunidade”.»

Zé Filipe [ENCHAMOS TUDO DE FUTUROS]

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