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quarta-feira, março 16

 

Perdas

Nestes tempos de escassez, assume maior importância o combate às perdas. Da água. Como da fé. E da acção, porque não se sabe o que fazer. E do olhar, porque as imagens saturam a visão. E do entendimento, porque não há tempo para pensar. E pensar incomoda como andar à chuva, mas como não chove nem sabemos como é bom é andar à chuva e cheirar a terra molhada e ouvir a água correr.
Em qualquer programa de combate às perdas é útil destrinçar as perdas aparentes das perdas reais e as perdas contabilizadas das não contabilizadas. As perdas aparentes são aquelas que não são efectivamente perdas. Os roubos de água, por exemplo. As fés que se mudam para outras confissões mais modernas, mais espirituais, menos formais, milenaristas, egoístas, dos sentidos e da emoção, dos prazeres imediatos. Aqui, as águas não se perdem. Apenas mudam de mãos. É uma questão de tempo, até que se mudem outra vez, porque não têm tempo de criar raízes nem de fecundar.
As perdas contabilizadas também não chegam a ser perdas efectivas. São ofertas. Transferências controladas. Aos bombeiros, por exemplo. Às seitas dentro da Igreja. À política.
As perdas reais são as mais preocupantes. São difíceis de perceber onde e por que razão ocorrem. São perdas não contabilizadas. São observáveis apenas pelos vestígios que rodeiam as roturas, por indícios indirectos, um pouco como os buracos negros. Na água ou na Igreja, rondam os 30 ou 40% todos os anos. Água que se perde, sal da terra que abandona, luz que se apaga. Não se sabe para onde vai.

Carlos Cunha [A QUINTA COLUNA]

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