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terra da alegria


 
 
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quarta-feira, março 9

 

Más companhias

O sofrimento individual pode ser lugar de redenção. Nunca o único caminho, mas um dos modos de se chegar a Deus. Mas a boa nova de Jesus é um anúncio de alegria e não de tristeza, de festa e não de dor, de vida e não de luto.
Por isso, (mesmo) nesta época da Quaresma, identifico-me com a Igreja que alivia a dor do homem, que toma suas «as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens do nosso tempo, sobretudo dos pobres e de quantos sofrem» (Gaudium et Spes, 1). E que reconhece «escandalosa a existência das excessivas desigualdades económicas e sociais que ocorrem entre os membros e povos da mesma família humana. São contrárias à justiça social, à equidade, à dignidade da pessoa humana e à paz social e internacional» (GS, 29).
Daí que seja dever e responsabilidade de cada cristão tomar como sua esta mensagem da boa-nova. Pela obras e não apenas pelas palavras. Não concebo uma proximidade de Deus longe da vivência dos homens.
Parafraseando, embora abusivamente, o Tiago, direi que as pessoas que não gostam da pobreza, não querem que inocentes sofram, que evitam ver a miséria, que se arrepiam imóveis com a injustiça, que ignoram o quotidiano de carne dos seus irmãos, estão convencidas de que nada têm a ver com esse mundo. A sua humanidade é outra. Outra que desconheço.

Ora, na Igreja em que habito cabe uma grande variedade de modos de experimentar a Fé, de viver no mundo com o coração em Cristo. Chamamos a isso diversidade na unidade. Tão grande e confusa é essa multiplicidade de olhares que, por vezes, dou por mim algo impiedoso (comigo e com os outros) e dogmático no meu catolicismo.
Nesta grande mesa cabem o padre Mário Oliveira ao lado do Jardim Gonçalves, as beatas que adormecem na eucaristia encostadas aos católicos não praticantes (que nunca compreendi muito bem o que seja), os Jesuítas ao lado da Opus Dei, os católicos pró-aborto (sim, também há...) a par dos católicos anti-aborto, os muitos missionários e a Cúria Romana, os teólogos da Libertação entre os monges contemplativos e os párocos das grandes cidades. Também aqui, na blogolândia e nesta Terra, encontramos manifestações desta diversidade.
Ao contrário de outros conterrâneos, como o camarada José, tenho pouca esperança e não faço muito esforço por um ecumenismo que me parece algo artificial. Cada um sabe de si (e Deus de todos, como diz o povo). Mas, neste colorido todo, tenho muito mais facilidade em sentar-me ao lado de um católico distraído do Direito Canónico, do amigo Tiago, ou mesmo de um comunista ateu, do que perto de alguns dos meus (outros) irmãos.

Carlos Cunha [A QUINTA COLUNA]

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