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quarta-feira, março 30

 

Até onde se pode ir?

O “politicamente correcto” é o resultado de uma pressão social pois constitui um discurso proferido em nome do agrado e da conveniência.
Lisboa, 11 de Março de 2005
D. Januário Torgal Mendes Ferreira (lido na Agência Ecclesia)

O cristianismo é uma Fé pessoal. Essa Fé é também uma Fé em valores. Em valores sociais nomeadamente. Não é indiferente a um cristão o valor da justiça, nomeadamente o valor da justiça social, pois nos termos da nossa Fé todos os homens são irmãos. Todos os homens são iguais e a todos é devido o respeito inerente à sua condição de filhos de Deus.

Parece-me portanto muito provável que, em termos abstractos, uma sociedade apenas composta de cristãos totalmente coerentes e consequentes seria uma sociedade comunista tal como definida classicamente: inexistência de propriedade privada e aplicação radical do princípio "de cada um segundo as suas capacidades a cada um segundo as suas necessidades". Essa sociedade utópica é a lógica social do cristianismo. É difícil não acreditar que o objectivo a longo prazo em termos sociais de um cristão possa ser outro que não a construção de uma sociedade comunista.

Mas respeitando totalmente a liberdade. Por isso, uma tal organização social teria que ser construída numa base integralmente voluntária. Não seria legítima a construção de uma sociedade comunista se existisse nem que fosse uma só pessoa que não estivesse de acordo com estes princípios. Porque a sua imposição administrativa implicam uma violação da liberdade totalmente desproporcionada. Tal sociedade só é possível numa base voluntária.

Entretanto, os cristãos devem lutar por um equilíbrio proporcional entre a limitação da propriedade e a satisfação das necessidades dos mais fracos e desprotegidos. Por isso me parece que deve existir a máxima carga fiscal possível. Que permita uma luta eficaz contra a pobreza e as desigualdades sociais.

É por isso que subscrevo, no actual contexto de uma globalização desregulamentada, as palavras de Mário Pinto no Público de há umas semanas (link indisponível). Segundo ele, existe "a necessidade de desonerar o Estado de produzir directamente serviços públicos que as pessoas e as comunidades possam elas próprias produzir, melhor e mais barato, sem prejuízo da regulação, fiscalização e financiamento estadual."

Acho este excerto particularmente feliz na sua integralidade mas gosto sobretudo da frase final que me permito repetir: sem prejuízo da regulação, fiscalização e financiamento estadual.

Na sociedade actual, esta frase é particularmente lúcida. E contém todos os elementos importantes. Senão vejamos:

- A regulação estadual, imprescindível para limitar o poder dos fortes e assegurar o respeito dos fracos e fornecer o quadro legal redistributivo em conformidade com a necessidade da aplicação tendencial do princípio "cada um segundo as suas capacidades a cada um segundo as suas necessidades".

- A fiscalização estadual, para garantir que a regulação é aplicada pelos indivíduos em sociedade.

- O financiamento estadual, obtido através dos impostos. E os impostos terão que ser a um nível elevado que permita a luta contra a pobreza num quadro legal redistributivo em conformidade com a necessidade da aplicação tendencial do princípio "cada um segundo as suas capacidades a cada um segundo as suas necessidades".

Termino com uma epístola de São Paulo aos Romanos (Rom 8,8-11):

"Irmãos:
Os que vivem segundo a carne não podem agradar a Deus.
Vós não estais sob o domínio da carne, mas do Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós.
Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, não Lhe pertence.
Se Cristo está em vós, embora o vosso corpo seja mortal por causa do pecado, o espírito permanece vivo por causa da justiça."



Timshel [TIMSHEL]

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