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quarta-feira, fevereiro 16

 

Vozes do deserto, tempo de Páscoa

Há momentos em que apetece parar. Ser chamado ao deserto, para ouvir-Te falar ao nosso coração. Andamos embrenhados nos dias e nas noites, passamos apressados pelos outros na cidade, esquecemo-nos de olhar para Aquele que habita em nós.

Um amigo de alguns que por aqui passam (tantas vezes apressados) - esteve um ano no seu deserto. Viveu retirado num convento - dedicado à oração, à contemplação, ao encontro. Com os outros - e com Deus. No regresso dessa sua viagem, fez-se a anunciar que estava «de regresso». E com as suas palavras falou-nos ao coração, como o Senhor que seduziu a sua mulher (Oseias 2, 16).

Sem e-mail, quase sem telefone, recebeu 134 cartas em dez meses. E escreveu muitas mais. Nós não lhe escrevemos tanto assim. Como não escrevemos mais para a morada desse ano, procurámos outras moradas no deserto para lhe dizer do quanto a sua travessia foi também a nossa. Despojado de sandálias, ele voltou constantemente à brisa, «[acolhendo] cada dia com a certeza da Páscoa!»

Espartilhados entre a família, os amigos, a casa, o emprego, os transportes, os blogues, a espuma dos dias acaba por esconder a beleza da sarça ardente, da paixão que é a vida. Vamos lá fora olhar o céu, sentir a brisa suave. E amar.

«Reconheço Deus na brisa suave, ao jeito de Elias, e na sarça ardente, como Moisés. Preciso da experiência da brisa suave para criar disponibilidade para a intensidade do fogo; preciso da paixão do fogo para que o desejo da brisa seja sempre maior e mais profundo.»

Há dias, um outro amigo voltou de uns dias no deserto - físico, geográfico, ali a Sul, atravessado o estreito que marca dois mundos, uma fortaleza. E disse, por sms: «A imersão no deserto aprofunda o ser, alivia de todas as responsabilidades, liberta-nos do acessório.» E, provocando-nos: «Já cheguei». Há encontros na Páscoa assim. Com cartas de antigamente ou mensagens dos dias de hoje. Para celebrar este tempo de purificação.

Apetece parar - e saborear.

Miguel Marujo (
CIBERTÚLIA)

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