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quarta-feira, fevereiro 16

 

Um texto simples em defesa da família

A prioridade fundamental do próximo governo deveria ser, do meu ponto de vista, a defesa da família. Também por razões de competitividade. Mas dessas já aqui falei em tempos num post intitulado "A competitividade".

A família deve-se defender porque ela constitui um valor em si mesmo. Uma verdadeira família é a mais eficiente e eficaz "fábrica de felicidade".

Uma verdadeira família supõe condições subjectivas (mas não é dessas que vai tratar o presente texto) e condições objectivas.

Uma família em que as necessidades elementares não se encontrem satisfeitas encontra-se ferida na sua dignidade mais profunda. Dificilmente essas condições objectivas permitem que ela se concretize como uma verdadeira família. Não digo que seja impossível mas é muito mais difícil.

Todavia, por estranhas razões, a pergunta que mais me ocorre quando leio jornais é uma pergunta que parece nada ter que ver com o que acabei de constatar. A pergunta é seguinte:

É a defesa da família incompatível com a defesa da justiça social?

Esta pergunta parece absurda (e é absurda). Contudo, quando atentamos nas posições de certos partidos políticos, comentadores, analistas, movimentos de opinião, etc., etc. parece que, por razões obscuras, quem defende a família não pode defender a justiça social e quem defende a justiça social não pode defender a família.

É assim que os chamados defensores da família e dos valores familiares quando emitem as suas opiniões quase nunca falam na justiça social e na luta contra a pobreza e as desigualdades sociais ou quando muito dedicam a estes temas apenas algumas palavras de conveniência enquanto se desdobram em longas ladainhas na defesa da família.

E vice-versa. Aqueles que se lançam em longos discursos radicais de luta contra a pobreza e por uma maior justiça social tendem a esquecer-se da defesa da família e dos seus valores.

Talvez a pergunta se deva colocar do modo exactamente oposto. É possível defender coerentemente e consequentemente a família e os valores familiares sem se defender com a mesma intensidade e radicalismo a justiça social e a luta contra a pobreza?

É inútil sublinhar a importância de um ambiente familiar seguro, equilibrado e afectuoso desde o primeiro dia de vida do ser humano.

É mais do que consensual entre os especialistas em desenvolvimento da personalidade que uma família com grande disponibilidade em termos de tempo, afecto e atenção é o factor mais importante na criação de felicidade. As crianças felizes irão ser tendencialmente pessoas estáveis, intelectualmente curiosas, com grande capacidade de trabalho.

O pai, a mãe e os filhos numa relação equilibrada, afectuosa e responsável formam um verdadeiro "triângulo virtuoso", uma espécie "fábrica de felicidade". Se são necessárias condições subjectivas na construção desta fábrica, são igualmente necessárias condições objectivas. Se as necessidades físicas elementares de uma família não estiverem satisfeitas é muito mais difícil existir equilíbrio e afectividade.

A justiça social e a luta contra a pobreza terão por isso que ser as bandeiras político-económicas de quem luta pela defesa da família e dos valores familiares. Diz o povo e bem: "casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão".

É por isso que aqueles que defendem a família e os valores familiares devem ter o cuidado de defender com a mesma intensidade a justiça social e a luta contra a pobreza e as desigualdades sociais. Sublinho com maiúsculas: COM A MESMA INTENSIDADE.

Mas, parece-me que dentro de algumas semanas será preciso estar particularmente atento para defender que a luta pela justiça social e contra a pobreza e as desigualdades sociais só é coerente e consequente num quadro cultural e comunicacional de defesa radical da família e dos valores familiares. Lutar pela família e pelos valores familiares com a mesma intensidade com que se luta pela justiça social e contra a pobreza e as desigualdades sociais. De novo: COM A MESMA INTENSIDADE.


Timshel [TIMSHEL]

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