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quarta-feira, fevereiro 23

 

Reacção em cadeia

Numa sessão de discussão a que assisti e onde se discutia a questão da origem do universo numa perspectiva cristã, com relativa rapidez o criacionismo e o concordismo, a relação entre a ciência e a religião, Galileu e Kepler, Einstein ou os físicos cristãos contemporâneos, foram deixados para trás, pois o grupo de discussão, constituído na sua grande maioria estudantes do secundário, se mostrou mais interessado em discutir outros assuntos. Nada há de novo nisso. Nem sequer nas problemáticas levantadas. Quando a discussão corre hostes adolescentes e a temática é cristã, rapidamente, as questões passam para um quadro parecido com este: «porque é que o Padre diz o que disse na Missa?»; «porque é que não o deixa dizer fora dos locais de culto e evita a sua discussão?».
Estas questões concretizam-se de diversos modos e são um dos instrumentos que os jovens usam para justificar diversos graus de afastamento. Dito isto, uma primeira questão deve ser formulada: afastamento em relação a quê? – A Deus? – À religião? – À Igreja? – Ao sacerdote? – Entretanto, uma primeira constatação deve ser anotada: - há por vezes, muitas vezes, uma identificação difusa dos quatro elementos em jogo. Desta difusa identificação resultam complicações onde se encontra um acento de drama. Antes de tentarmos clarificá-lo, deixemos dito que o que dizemos é esquemático. Nesse esquema, vemos um processo de reacção em cadeia.
O adolescente ao escutar o que o sacerdote diz no espaço de culto e fora dele, ao discordar, joga essa discórdia contra as bolas mais próximas no pano verde do bilhar. Joga a recusa contra a Igreja, contra a religião e por fim contra Deus. Por isso, é possível observar que algum hábito na recusa do que é dito e feito pelo sacerdote, torna o adolescente hábil no pôr em causa a Igreja, a afastar-se das problemáticas religiosas e a complicar a relação que pode ter com Deus. Ele sabe que há qualquer coisa neste processo que não está bem. Não somos naturalmente tolos e por isso sabemos que falta qualquer coisa na reacção em cadeia. Sabemos que a reacção em cadeia choca com algo que “ameaça” tornar-se ausente e que tal ausência será custosa. Dolorosamente custosa. Por isso, no meio de uma situação como esta, o adolescente tem tendência a fazer uma de duas coisas, ou as duas alternadamente. A manifestar uma imensa tristeza que se mostra no modo lamentoso como critica. A manifestar uma ira desmesurada que se mostra no modo como não é capaz de escutar seja o que for que o que possa ser dito para amenizar a sua reacção.
Independentemente disto, parece que a causa próxima deste reacção passa pelo papel que o adolescente atribuiu ao mediador, o que deve merecer atenção e também a nossa atenção em próximas edições.

Fernando Macedo [
A BORDO]

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