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quarta-feira, fevereiro 23

 

A Páscoa - retratos de libertação



A festa. O domingo de Ramos festivo, colorido, que aqui se apresenta, é o contraponto a uma imagem sofrida que percorre as nossas ruas, durante a Semana Santa, um Senhor dos Passos, carregado de cores pesadas e madeiro inclemente, ou as cruzes que batemos e rogamos no peito. Mas esta Páscoa que vamos anunciando e preparando ao longo do tempo de jejum, é também tempo de nos fazer pensar sobre sinais preocupantes do nosso mundo.



A palma. Era uma palma. Por cima dos nomes carregados a preto, a morte vinha anunciada com uma palma, simples e bonita. Entretanto, os protestos dos leitores foram muitos, sobre aquele jornal que nem uma cruz põe nas suas páginas de necrologia... Hoje, folheia-se o jornal, ou outro qualquer, e os óbitos anunciam-se sempre sombrios e de cruz marcada. Sofridos os rostos, sentidas as mensagens. O raio de luz que é a palma continua tolhida até ao Domingo de Páscoa.

A Quaresma confunde-me. O tempo de penitência era muito severo outrora. Hoje, será medido em "maior fervor", como lembra um dicionário das religiões. Mas, este fervor parece esquecer que o mundo sofrido e compungido não se resolve com fervores de bater no peito. A alegria da libertação - a passagem que é a Páscoa - deve ser tempo de olhar o mundo com vontade de mudar. O desconforto que sentiremos na nossa vida, no nosso trabalho, deve ser vivido com arrojo - ousar e criar novas vidas, trabalhar a aventura. Escrevia Jacques Gaillot, há um ano, na sua diocese "virtual": «No momento de celebrar a Páscoa, como poderemos não nos lembrar de que Jesus foi crucificado fora das muralhas de Jerusalém. Pela sua morte, derrubou o muro de ódio que separava os povos. Esse muro não deve ser reconstruído.» [in Partenia http://www.partenia.org]

Penitência. Resta-nos então encher o mundo de futuros. É esta a penitência que devemos tomar em mãos. A palma com que festejaremos a libertação. Da vida sobre a morte.

Miguel Marujo [CIBERTÚLIA]

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