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quarta-feira, fevereiro 9

 

As morais não são todas iguais

«Vós sois o sal da terra. Ora, se o sal se corromper, com que se há de salgar? Não serve para mais nada, senão para ser lançado fora e ser pisado pelos homens.
Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte; nem se acende a candeia para a colocar debaixo do alqueire, mas sim em cima do candelabro, e assim alumia a todos os que estão em casa. Assim brilhe a vossa luz diante dos homens, de modo que, vendo as vossas boas obras, glorifiquem o vosso Pai, que está no Céu» (Evangelho segundo S. Mateus 5, 13-16).

A campanha eleitoral em curso tem o condão de unir todos os portugueses numa só prece: que acabe depressa. Uma campanha eleitoral não é um lugar de reflexão, de apresentação de propostas, de confronto de ideias. É antes um tempo de folclore, de cenários, de gritarias e de soundbytes. Não é um espaço de democracia, mas da propaganda, do marketing. Quem faz uma boa campanha, apenas prova isso mesmo: que sabe fazer campanhas. Nada mais. Assim como quem ganha eleições, apenas prova que sabe ganhar eleições. O melhor vem depois.
A crise da democracia, dos valores, da participação cívica também passa por esta época tonta, em que tudo soa a falso: os comícios, as frases arrebatadas, as bandeirinhas dos partidos, a deprimente alegria dos jovens - poucas coisa são mais tristes que ver um jovem a gritar pela sigla de um partido, como se de um clube de futebol se tratasse -, o contagiante cansaço dos almoços, dos beijos, das poses.
Bem ou mal, os partidos são objecto das críticas de quem não consegue ver na política um serviço nobre à comunidade. Por desilusão ou comodismo, o atávico imobilismo português vira costas aos partidos, como se fossem «todos iguais» e sem descobrir o que de bom há no empenhamento na construção dos bem colectivo.
Agora, a moda é criticar o tom moralista das propostas dos partidos. O combate à evasão fiscal é um moralismo; a denúncia dos vários peculatozinhos de quem está no poder é um moralismo; a tomada de posições sobre o aborto é um moralismo; a luta pela justiça social é um moralismo; falar-se na pobreza e nos pobres é um moralismo. Como se o moralismo, isto é a presença de uma moral ou uma ética no discurso político, fosse um mal. Não é. Pelo contrário: é um resquício de integridade de quem vê a política como um serviço em prol do bem comum.
Tentar expurgar os "moralismos" de uma campanha eleitoral - e da política em geral - não é inocente. Corresponde a uma visão da política que se pretende neutra, pragmática e moderna, porque chegou já ao fim da História. Mas, sob a capa da eficiência e da moderação, está também presente uma ideologia. E uma moral. Ambas perigosas.

Carlos Cunha [A QUINTA COLUNA]

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