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quarta-feira, janeiro 26

 

Viva o Poder Popular!

O texto que o Miguel publicou aqui na semana passada deixou-me a pensar. Será que faz sentido misturar partidos com a Fé? Será que é legítimo, em nome das convicções religiosas apelar ao voto neste ou naquele partido, ou repudiar o voto num outro? Não sei.
Cresci em ambiente cristão/católico e nunca associei as convicções religiosas dos que me rodeavam a qualquer convicção política. Também é certo que fui educado na cidadania e no respeito aos outros, sem a presença de nenhuma particular marca partidária ou ideológica e isso, sim, fui associando aos preceitos evangélicos e à moral cristã. Por isso, na construção das minhas opções partidárias, creio que fui conseguindo, ao longo da vida, ir conciliando alguns valores mais associados à Esquerda com alguns valores associados à direita. É evidente que nem tudo é conciliável, mas muitas vezes dou por mim a pensar que qualquer sistema político funcionaria se cada um soubesse olhar para os outros todos (e creio que o “segredo” seria mesmo este “todos”).
Soa a utopia? A ingenuidade? A conversa adocicada para entreter criancinhas? Claro que soa. Mas o facto é que não vejo outro ponto de partida para fazer uma escolha coerente...
Sim, seria mais fácil escolher em função de quem está mais apresentável, de quem fala melhor, de quem parece ter mais convicção, de quem não gagueja e diz todas as palavras certinhas.
Teimo em acreditar na Democracia e teimo em acreditar que é possível viver numa sociedade em que as pessoas podem orientar os seus destinos sem conflitos, de forma organizada e tendo em conta o bem comum e a qualidade de vida de cada um.
Acho que aprendi isto quando descobri que, na canção (hino!) do Zeca Afonso, depois de “o povo é quem mais ordena”, vinha “terra da fraternidade”.

A justiça social, a necessidade de todos termos iguais direitos e deveres ou de a riqueza estar distribuída de modo a que cada um tenha, não apenas o necessário, mas também o que o torna digno, a preservação dos valores culturais e sociais ou a liberdade de expressão e de realização pessoal são valores inquestionáveis na nossa sociedade. É necessário que percebamos, todos e cada um, que depende de nós fazer com que as coisas mudem, não só com o voto que delega responsabilidades na tal “classe política”, mas tomando a iniciativa e começando a criar a força que faz com que juntos possamos ser, de facto, o soberano no qual se funda o direito democrático (cf. Constituição da República Portuguesa, Art.º 2.º).

Rui Almeida [RUIALME]

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