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quarta-feira, janeiro 19

 

Os monstros

Uma pergunta que sempre me surpreende. De onde há-de vir o dinheiro para o Estado lutar contra a pobreza?
Se é verdade que penso que o Estado deve emagrecer muito e que as suas funções se devem limitar a controlar, regular e garantir as normas justas, também é verdade que o Estado deve ser financiador, deve dispor de um orçamento generoso (se necessário através de uma aumento da carga fiscal) na luta contra pobreza e as desigualdades sociais. Há que cortar na despesa pública mas há que aumentar a despesa social do Estado efectivamente destinada à luta contra a pobreza e as desigualdades sociais.
Julgo que todos os partidos do espectro parlamentar português se podem rever no que acabei de escrever.
Tratar-se-á por isso de uma banalidade? É e não é.
Se é verdade que no CDS existirão sinceros democratas-cristãos que subscrevem aquilo que escrevi, parece-me que a tendência actual desse partido é a de um autoritarismo populista em que o neo-liberalismo é a força ideológica dominante.
O PCP, independentemente daquilo que diga, encontra-se tolhido pelo imobilismo autoritário. É um partido que defende posições sociais com as quais simpatizo mas que contém um lastro de totalitarismo cego e inumano associado a uma incapacidade confrangedora de apreender a realidade.
O Bloco de Esquerda é, tal como o PCP, um partido vigoroso na defesa da justiça social e merece-me por isso muita simpatia. Infelizmente encontra-se amarrado às chamadas "causas fracturantes" que nada têm a ver com esquerda mas sim com os valores de um ultra-liberalismo individualista ameaçador da essência da dignidade humana. É deprimente aliás o desequilíbrio que patenteia na defesa destes estranhos "valores".
O PSD e o PS são os partidos que apresentam mais pontos em comum com os meus pontos de vista. Ambos consideram a justiça social como um valor fundamental com um profundo respeito pelas liberdades e pelos mecanismos democráticos. Estes partidos, contudo, porque são os únicos partidos com possibilidade de exercer o poder (felizmente), atraem para o seu seio o piorio da sociedade portuguesa e carregam às costas verdadeiros monstros sociais.
Em primeiro lugar, convergem neles os populistas autoritários que constituem uma permanente ameaça para a independência dos meios de comunicação social, para os tribunais e para a justiça em geral. Se existe algo a que os populistas autoritários têm um particular ódio é à liberdade de expressão, à independência e isenção dos meios de comunicação social e à independência e isenção dos tribunais e das polícias.
Em segundo lugar, frequentemente em sobreposição com os populistas autoritários, encontramos nestes partidos as clientelas, a mediocridade, as corporações, os boys e todos os interesses subsídio-dependentes.
Finalmente, em terceiro lugar, gravitam na sua órbita os neo-liberais normalmente disfarçados de "eminências competentes". Os gestores, analistas, patrões, arengando competência sem dizerem uma só palavra sobre as despesas públicas destinadas à luta contra a pobreza e as desigualdades sociais. Pretensamente neutros, estes tecnocratas, envolvem-se num manto de competência acima da moral. Para eles a economia parece ser uma ciência descritiva como a zoologia em que apenas interessa saber "como é" sem ser preciso saber "porquê" e "para quê". A competência é necessária. Mas é preciso saber quais os valores morais ao serviço dos quais a competência se encontra. É que os nazis também foram extremamente competentes na barbárie.

Não deixa de ser irónico que o PS e o PSD agora andem a dizer que se copiam um ao outro. Espero que assim seja. Espero que em matéria de radicalismo na luta contra a pobreza e as desigualdades sociais se copiem muito e que se um diz mata o outro diga esfola.
Se se querem diferenciar existe uma área chave para fazer a diferença: recusem totalmente qualquer cedência aos populistas autoritários, às clientelas corporativas subsidio-dependentes e aos neo-liberais que pululam nestes partidos e que nada têm a ver com as doutrinas de que estes se reclamam. Aí está algo de muito importante que poderia fazer a diferença entre eles.
Dir-me-ão que só é possível a um líder destes partidos libertar-se destes monstros se alcançar uma maioria absoluta. No pressuposto (não provado) que sim, não tenho dúvidas em dizer que entre estes dois partidos, se não for possível estabelecer com clareza qual o que se encontra mais atolado nos monstros que acabei de referir e qual o que defende o maior aumento da despesa pública efectivamente destinada à luta contra a pobreza e as desigualdades sociais, escolherei aquele que me parece mais próximo da maioria absoluta. Qualquer pessoa de bom-senso fará o mesmo.

Timshel [TIMSHEL]

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