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quarta-feira, janeiro 5

 

Os expulsos do paraíso

Morreu Jacques Dupuis. O nome dirá pouco a alguns, porventura nada a muitos. Alertados por uma notícia do Público, descobrimos um padre jesuíta e teólogo belga, «forçado pelo Vaticano ao silêncio entre 1998 e 2000, que morreu na cidade italiana de Roma, aos 81 anos. Na condenação que o calou durante dois anos e meio estavam em causa as ideias do seu livro "Para uma Teologia Cristã do Diálogo Inter-Religioso"».

O interesse cresce. Não por ser mais um calado por Roma, mas pelo tema da sua obra. «Dupuis propunha "a possibilidade de uma convergência mútua das diversas tradições no pleno respeito das suas diferenças e, enfim, o seu enriquecimento e a sua fecundação mútuos"».

A rejeição da Cúria encontrava ecos noutros grupos: há pouco mais de um ano, a sua presença em Fátima foi mal recebida por grupos fundamentalistas.

Outra nota bibliográfica que retemos é do estudo profundo que fez das religiões orientais [outros dados bibliográficos podem ser consultados na notícia em apreço], para nelas – e noutras religiões – intuir que se pode acreditar em Jesus «como salvador universal e, ao mesmo tempo, dizer que as tradições religiosas têm um sentido positivo no plano divino para a humanidade».

Dupuis morreu no passado dia 28 de Dezembro, mas o facto foi anunciado apenas no último dia do ano e noticiado em Portugal a 3 de Janeiro do novo ano. Nestas datas cruza-se uma das maiores tragédias naturais que varreu o mundo. Todo o Sudeste Asiático foi sacudido por um terramoto seguido de maremotos de tal modo mortíferos, que dizer que morreram 150 mil pessoas espelha apenas uma frieza contabilística que já quase esquece os rostos da tragédia.

O Mal é um deus vingativo que devasta a Terra e dilacera a Criação – assim foi dito por muitos que não crêem. Ou que não queriam crer no que viam. Deus (acusaram) lançou a morte, ressuscitando uma visão fatalista de um deus que não existe. Deus fez o mundo e entregou-o ao homem e à natureza. De Deus, houve quem se dizendo não-crente teve a mesma atitude dos que se ajoelham em Fátima: (não) acreditam, mas esperavam que o menino não fosse engolido pelas águas por um qualquer deus que o salvaria.

Dupuis (regresso a ele) intuiu a possibilidade de uma salvação das pessoas com o contributo de todas as crenças – e não apenas do cristianismo. Por outras palavras, o esplendor da verdade era recusado na leitura exclusivista de uma certa Igreja. «O diálogo inter-religioso é hoje "parte integrante" da missão da Igreja católica», defendia.

Um deus mesquinho que mata não é o desígnio de Deus. Assim como Aquele que exclui.

Outras contribuições para um debate: no Blogue de Esquerda, Deus escreve direito? no Afixe, a lógica da batata ainda no Afixe, o problema do Mal e nos Galarzas, o humor para falar de coisas sérias, com Deus e os vindouros.

Miguel Marujo [CIBERTÚLIA]

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