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quarta-feira, janeiro 12

 

Mais de confissão

Na tradição cristã, a ideia de pecado leva à ideia de confissão. A confissão é – como foi frisado pelo alerta amarelo em texto anterior – um modo de higiene espiritual. Ela é o primeiro passo para uma regeneração interior. Sem ela, sem a expulsão do pecado, o interior permanece preso nas águas da iniquidade. Por isso, serve para limpar águas, mas não só; serve também para dar forças para o caminho. Essa é uma das funções que cumpre. Revitaliza.
Não é preciso ir à literatura e a Dostoievski para dar conta do valor energético da confissão. Cada um, na medida em que o faz pode dar conta do ganho de energia que advém pelo acto de confissão. Por isso, a confissão do pecado católico, levada a cabo pelo Papa, não pode deixar de ser sentida pelos católicos como um enorme impulso para andar para frente, e tanto ou mais importante quando são necessárias forças frescas para andar para a frente.
Mas não é fácil.
Nenhuma colectividade, instituição, comunidade, indivíduo, nenhum de nós gosta de expor pecados. E não gosta, porque quando o faz, suspeita que pode ficar diminuído no olhar do outro. Por isso, talvez por isso, as instituições não confessam os erros, e nós os nossos pecados. Entretanto, penso, suspeito, que nenhum dos adversários e inimigos do catolicismo gostou de ver o catolicismo confessar pecados. Mesmo quando isso os deveria ter deixado contentes. Era o próprio catolicismo a reconhecer a pertinência de algumas das suas críticas.
Com tal confissão, o catolicismo surge diferente. Pois, quem esconde as atrocidades que cometeu e comete, quando age assim, age como os outros. Vive no segredo do crime do Estado, do segredo da fraude económica, no segredo da fraude cultural, no segredo da fraude religiosa. Mas quando o Papa disse aqui estamos nós com as nossas contradições, com os nossos erros, com os nossos pecados, distancia-se imediatamente das práticas correntes. E isso dói. Porque mexe no secreto desejo de que também os outros sejam suficientemente cobardes para esconderem o que têm em si de pior.

Fernando Macedo (
A BORDO)

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