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quarta-feira, janeiro 19

 

Gil Vicente e o tsunami

«Não se ganha nada em instrumentalizar ou em esquecer a religião. A explosiva situação actual exige novo discernimento», dizia Frei Bento Domingues um destes domingos, a propósito dos maremotos da Ásia. Algo parecido com o que, há uns 500 anos, Gil Vicente escreveu de Santarém a D. João III, a propósito de um terramoto que abalou aquela cidade.
Perante as interpretações do fenómeno feitas por uns frades, o dramaturgo queixa-se ao rei que estes diziam que a terra tinha tremido por causa dos pecados do povo e que em determinado dia viria outro se estes continuassem. Mestre gil conta que admoestou os pregadores que assim falaram dizendo que foram «acontecimentos que procedem da natureza» e «que o tremor da terra ninguém sabe como é, quanto mais quando será».
«Pareceu que estava neles mais soma de ignorância que de graça do Espírito Santo».
Gil Vicente foi um homem de fé verdadeira, que num tempo em que a ciência não era o que é hoje, soube perceber que nem tudo tem que ser explicado pelo medo ou pelo mistério.
Os comportamentos de muitos “guias de almas” que por aí há (infelizmente, muitas vezes misturados com a gente séria) permite que no nosso século ainda se confunda religião com superstição. E a superstição não é mais que o recurso ao medo como defesa da realidade.

Rui Almeida [RUIALME]

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