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quarta-feira, janeiro 26

 

As probabilidades do Mal

Este será um post em duas partes. A primeira será dedicada sobretudo aos ateus (blogue no qual tenho ultimamente visto alguns textos e debates extremamente interessantes) e a segunda será dedicada aos cristãos.
A possibilidade de Deus não existir existe. O Homem não pode ter a certeza de nada. A maior parte das certezas do Homem são certezas de ordem probabilística e utilitária baseadas no fenómeno causa/efeito. Todo o nosso comportamento e o nosso conhecimento é o produto de análises probabilísticas.
A lógica de probabilidades é essencialmente uma lógica utilitária ou quando muito uma lógica de causa/efeito. Dizer que existe uma hipótese num milhão de algo acontecer não significa nada. Só significa se essa hipótese me for útil. Se quiser estabelecer um raciocínio com base numa hipótese de um por um milhão esse raciocínio é muito pouco provável. Se um comportamento ou evento for útil com base na probabilidade de um para um milhão não vou ter esse comportamento ou não vou ter em conta esse evento. Mas dizer que algo acontece uma vez num milhão não estabelece nenhuma "validade ontológica" para esse algo. Quando acontece, acontece pura e simplesmente. Independentemente do facto de ter sido negligenciável a probabilidade de esse algo acontecer.
Mas se a fé na razão é infundada passa por isso a ser uma fé irracional?
O valor da razão é o valor da utilidade da razão. A razão determina-se por critérios probabilísticos. Apenas a lógica formal ou abstracta escapa à lógica probabilística porque funciona a partir dos pressupostos axiomáticos do sistema em que se movimenta.
No que respeita à interpretação do real, todas as conclusões são de natureza probabilística. Probabilidade e utilidade estão intimamente ligadas.
Existem áreas em que, enquanto cristão, não me determino por critérios utilitários. E por isso pouco interesse tem nessas matérias a lógica probabilística a que normalmente se dá o nome de "razão".
Nas escolhas que faço e nas atitudes que adopto nesse tipo de matérias procuro não me determinar por critérios probabilísticos ou utilitários. Procuro apenas determinar-me pelo mandamento que Cristo nos deixou, o seu único mandamento, o do Amor.

Passemos agora à segunda parte (dedicado aos cristãos).
"Do rio que tudo arrasta se diz que é violento mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem" (Brecht).
Em que medida a violência e a agressividade anti-clerical e anti-religiosa não é culpa precisamente de nós, agora ou no passado?
Não existe fumo sem fogo. Porque razão existe esse tipo de violência e agressividade? Caiu do céu?
Na sua maior parte, a violência e agressividade anti-clerical e anti-religiosa tem origem em comportamentos que os cristãos têm ou tiveram para com essas pessoas agora violentas.
E no que a um cristão diz respeito pode-se mesmo avançar com o axioma de que toda violência anti-clerical e anti-religiosa tem uma única origem: o Mal perpetrado por pessoas que se invocam ou se invocaram agir em conformidade com os ensinamentos de Cristo.
Já ouço alguns a referirem o excesso de auto-culpabilização (típica dos cristãos, acrescentariam os ateus). Não se trata aqui de qualquer tipo de culpabilização (auto ou hetero) conceito com ao qual tenho uma particular aversão. Trata-se de sublinhar a necessidade de atenção, compreensão e disponibilidade.
Temos que aprender com os violentos (não me estou a referir à aprendizagem por imitação - para sermos como eles, obviamente - até porque a aprendizagem por imitação é instintiva e a aprendizagem por compreensão nos aproxima de Deus).
As pessoas com as quais mais temos que aprender no nosso comportamento quotidiano parecem-me ser precisamente os violentos e os agressivos, sobretudo quando essa violência e agressividade assumir um carácter anti-clerical e anti-religioso.
Se estivermos atentos, veremos como o Mal nasce por vezes em nome de Deus.

Timshel [TIMSHEL]

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