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segunda-feira, dezembro 13

 

Um Deus pelo qual se conclui logicamente não é o verdadeiro Deus

Há dias surgiu uma notícia na internet, que um ateísta destacado acabou de convencer-se da existência de Deus. Alguns blogistas crentes, entre eles o meu amigo Timshel, se alegraram com a noticia e divulgaram-na, não sem um certo sentido de humor, como argumento de combate aos ateistas, mais concretamente a estes ateistas.
Da minha parte, não fiquei muito impressionado, e não pelo facto de que o Deus descoberto pelo tal Professor Flew assumidamente nada tem a ver com o Deus cristão, este qual – aliás – caracteriza em termos muito pouco simpáticos.
A minha falta de entusiasmo deriva antes da minha convicção de que as demostrações racionais da existência de Deus são, para além de até agora falaciosas, fúteis.
Porque enquanto entendo e partilho do espanto do Homem perante o mistério que é a vida e a criação, não vejo como uma explicação científica pode eliminar este espanto. (E ainda bem!) Este espanto existe em face ao transcendente. Explicações científicas podem retirar questões do transcendente e integrá-las, respondidas, no nosso domínio do conhecimento, mas é uma ilusão achar que por isso o transcendente é diminuido. É uma operação como retirar uma área finita do infinito. (Mais uma vez apresento este argumento batido: Se é preciso Deus para explicar a origem das coisas, quem explica a origem de Deus?)

Comentei essa notícia então, parafraseando Lao Tse
[1]: “Um Deus pelo qual se conclui logicamente, não é o verdadeiro Deus.“
E isso acredito mesmo. Mas se não acho possivel concluir pelo Deus racionalmente, apesar de acreditando nos benefícios e no imperativo do uso da razão, isso não significa que acho Deus como inexistente ou, o que um positivista podia chamar equivalente, a questão da sua existência irrelevante.
A existência de Deus comprova-se, por mim, pela experiência. Não – necessáriamente – por uma experiência mística, por uma aparição qualquer, mas pela experiência que podemos fazer do Amor: se fomos felizes, por tê-lo recebido, em todo o caso, exercendo-o.
Acredito que essa experiência faculta-me as referências mais fiáveis para fazer uso da razão: não para construir edifícios doutrinárias em cima do meu conceito do divino, mas exactamente pelo contrário, na fiscalização permanente dos edifícios doutrinários, meus e de outros, religiosos e de outros, se eles estão ainda de acordo com a base válida, que não é uma conclusão, mas uma experiência que nos é dada como uma Graça: o Amor.

______________________________
[1] Os primeiros versos do Tao Te King:
O caminho que pode ser seguido

Não é o Caminho Perfeito.
O nome que pode ser dito
não é o Nome eterno.

Lutz [QUASE EM PORTUGUÊS]


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