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quarta-feira, dezembro 1

 

Terra de missão ou Demissão na Terra? – 1ª parte

A Nova Evangelização, de que agora tanto se fala, já não é aquela que se fazia antes. Já não é aquela inicial, a que se espalhou pelo império romano e suas circundâncias, regada a sangue de mártires e inspirada pela santidade de anacoretas. Já não é também a que viajou nas primeiras naus portuguesas. A que espalhou a palavra de Cristo, enquanto ao seu lado se espalhava o poder da Europa. A que surgiu aos povos de além-mar como mais uma face da civilização que lhes entrava porta adentro. A que foi feita com a Bíblia numas mãos, com arcabuzes noutras. Já não é, igualmente, a que apareceu depois, em que missionários católicos e protestantes concorriam entre si na indicação do melhor caminho para a salvação dos gentios e que, para isso, começaram a ter de entender melhor aqueles que pretendiam salvar. Salvar das suas superstições mas também da cupidez e violência desvairadas dos homens de chumbo que cuidavam das fundações dos impérios. Esta foi uma evangelização que levou e leva ainda pão espiritual e pão material para os deserdados e espoliados da Terra. Esta é uma evangelização que honra as Igrejas Cristãs e lhes dá coerência com a Palavra que evocam.
Mas não é desta ou destas evagelizações que falam agora os nossos cardeais, os melhores entre eles. A evangelização que os junta na oração e na discussão é uma evangelização totalmente diversa das anteriores, incomparavelmente mais difícil. É a evangelização entre nós europeus, a evangelização destas sociedades urbanas europeias, tão imensamente distantes da ideia de Deus e da esperança de Cristo. Tal como nos tempos paleo-cristãos, os bispos dos nossos tempos preocupam-se hoje com a evangelização da cidades.

O sempre atento António Marujo do Público, acompanhou com algum desencanto o Congresso Internacional da Nova Evangelização, realizado em fins de Outubro em Paris e em que o nosso D. José Policarpo recebeu a passagem do testemunho do bom Cardeal Lustiger. E agora que arrancou a preparação do próximo congresso, aqui mesmo em Lisboa, penso ser boa altura fazer por aqui umas reflexões sobre o que acho dever ser e não ser essa Nova Evangelização da Cidade. Será tema a desenvolver nas próximas semanas, a fio ou interpoladamente, logo se verá.

Mas vou começar num ponto, que tem aqui neste espaço vindo a ser galhardamente posto em causa pelo Miguel e pelo Zé Filipe: numa altura em que a Igreja parece tocar os sinos a rebate para chamar os leigos a acorrer a este renovado desígnio, o que tem feito essa mesma Igreja em prol dessa mesma Evangelização, nesta Europa urbana e, como se diz muito agora, pós-cristã?
Devo dizer que na minha forma particular e tão individualista de viver o meu catolicismo, esse assunto não me tem procupado muito. Há muito que me habituei a relativizar as falhas da minha Igreja à luz da verdade da nossa Fé. E acabei por interiorizar uma noção de que a intercessão que a Igreja me oferece é mais sacramental do que pastoral. De facto, o orgulho do crente pode atingir níveis estratosféricos...
E é precisamente por isso que ouço sempre com bons ouvidos a Igreja chamar os leigos ao testemunho da sua fé e à tarefa da evangelização. O que não quer dizer que eu lá acorra, antes pelo contrário: o pudor, o respeito pela individualidade dos outros, enfim toda uma parafernália de eufemismos para edulcorar a minha cobardia em afirmar a minha Fé, tudo isso me serve pretexto para dizer baixinho daquilo em que acredito. E quando vejo irmãos na Fé, como os carismáticos da Comunidade Emannuel, de que falava o António Marujo, espalhando cânticos e lendo alto a Bíblia no tropel das ruas de Paris, sinto um arrepio estético, muito conveniente para confortar quem prefere ficar sentado no sofá matutando sobre o Livro de Job...
Vivo pois, como muitos, mergulhado num mar de contradições, que é um mar lindíssimo, um mar de cor azul, de águas tépidas e mansas, que me refresca e me sustenta. Mas do qual terei forçosamente de saír um dia. Que seja o quanto antes. Talvez aproveitando a deixa desta Nova Evangelização de que se fala agora.
E se tenho de começar por algum lado, vou, como já disse, começar pela nossa Santa Madre Igreja, a que nos oficia e intercede por nós. Mas que parece ter deixado de ter vontade e capacidade nos evangelizar, aqui nestas cidades desta Europa do bem-estar para quase todos, e que todos fingem não perceber que está tão ameaçado. E, remetendo desde já os leitores para quase todos os textos que o
Miguel e o Zé Filipe têm escrito aqui na Terra, será então para a semana que começarei a meter a foice nesta seara que não me é alheia.

José [GUIA DOS PERPLEXOS]

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