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segunda-feira, dezembro 13

 

Quem está a escrever o Futuro? (2)

NOTA: O texto seguinte é um excerto de documento publicado pela Comunidade Internacional Bahá'í, intitulado "Quem está a escrever o futuro?". Trata-se de uma reflexão sobre a evolução da humanidade ao longo do século XX à luz dos ensinamentos de Bahá'u'lláh. Devido a extensão do documento, este será publicado gradualmente. Os subtítulos, as frases a bold, e entre parentesis recto, assim como algumas notas são da minha responsabilidade.
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DIFERENTES VERTENTES DA EVOLUÇÃO HUMANA

(...) A divulgação do sofrimento aterrorizador, visível nas vítimas da perversidade humana durante o decorrer da guerra, provocaram uma onda de choque a nível mundial – e o que pode apenas ser designado como um profundo sentimento de vergonha. Deste trauma, emergiu uma nova espécie de compromisso moral que foi formalmente institucionalizado no trabalho da Comissão das Nações Unidas para os Direitos Humanos e das suas agências associadas, desenvolvimento inconcebível para os governantes do séc. XIX, a quem Bahá'u'lláh se tinha dirigido sobre este assunto. Assim fortalecido com este poder, um corpo crescente de organizações não governamentais empenhou-se em assegurar que a Declaração Universal dos Direitos do Homem seja estabelecida como base dos padrões normativos internacionais e seja consequentemente implementada.
Um processo paralelo teve lugar no que respeita à vida económica. Durante a primeira metade do século, em consequência da devastação provocada pela grande depressão, muitos governos adoptaram legislação que criou programas de assistência social e sistemas de controlo financeiro, fundos de reserva e regras comerciais que visavam proteger as suas sociedades de um repercutir de tal devastação. O período seguinte à Segunda Guerra Mundial trouxe o estabelecimento de instituições cujo campo de operação é global: o Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial, o Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio e uma rede de agências de desenvolvimento, dedicadas a racionalizar e promover a prosperidade material do planeta. No final do século – quaisquer que sejam as intenções e apesar do carácter rudimentar da presente geração de meios – as massas da humanidade têm visto que o uso da riqueza do planeta pode ser fundamentalmente reorganizado em resposta a concepções de carência inteiramente novas.
O efeito destes progressos foi enormemente ampliado pela acelerada extensão da educação às massas. Para além da vontade dos governos nacionais e locais de atribuir a esta área fundos grandemente aumentados, e da capacidade da sociedade de mobilizar e treinar exércitos de professores profissionalmente qualificados, dois progressos do séc. XX tiveram uma particular influência a nível internacional. O primeiro foi a série de planos de desenvolvimento centrados nas necessidades de educação e financiados massivamente por entidades como o Banco Mundial, agências governamentais, grandes fundações e vários ramos do sistema das Nações Unidas. O segundo foi a explosão da tecnologia da informação, a qual fez de todos os habitantes da terra potenciais beneficiários de todo o conhecimento da raça.
Este processo de reorganização estrutural a uma escala planetária foi animado e reforçado por uma profunda mudança de consciência. Populações inteiras viram-se abruptamente obrigadas a enfrentar os custos de hábitos mentais arreigados que geravam conflitos – e a fazê-lo mesmo debaixo da mira da censura mundial daquilo que outrora tinham sido consideradas atitudes e práticas aceitáveis. O efeito viria a estimular uma mudança revolucionária na forma como as pessoas se vêm umas às outras.

Ao longo da história, por exemplo, a experiência parecia demonstrar – e os ensinamentos religiosos confirmar – que as mulheres são de uma natureza essencialmente inferior aos homens. Da noite para o dia, no esquema histórico das coisas, esta concepção prevalecente bateu subitamente em retirada por todo o lado. Por muito longo e doloroso que seja o processo de fazer concretizar a declaração de Bahá'u'lláh em como mulheres e homens são, em todos os aspectos, iguais, o apoio intelectual e moral a qualquer ponto de vista oposto desintegra-se continuamente.
Uma outra característica da visão que a humanidade tinha de si própria ao longo dos anteriores milénios era a celebração de distinções étnicas que, em séculos recentes, endureceram em várias fantasias racistas. Com uma rapidez que, na perspectiva histórica, é de cortar a respiração, o séc. XX viu a unidade da raça estabelecer-se como um princípio orientador da ordem internacional. Hoje, os conflitos étnicos que continuam a ser a causa de devastação em muitas partes do mundo são vistos, não como traços característicos das relações entre povos diversos, mas como aberrações, que têm de ser trazidas a um controlo internacional eficaz.
Durante o longo período de infância da humanidade, também se partia do princípio – uma vez mais, com a concordância total da religião organizada – que a pobreza era uma característica duradoura e inevitável da ordem social. Agora, contudo, este pressuposto que moldou as prioridades de todos os sistemas económicos que o mundo conheceu, tem sido universalmente rejeitado. Pelo menos no plano teórico, os governos têm vindo a ser, por todo o lado, olhados essencialmente como provedores responsáveis por assegurar o bem-estar de todos os membros da sociedade.

Particularmente significativo – devido às suas íntimas relações com as raízes da motivação humana – foi o abrandar do preconceito religioso. Prefigurado no "Parlamento de Religiões", que atraiu imenso interesse no final do séc. XIX, o processo de diálogo e colaboração inter-religioso reforçou os efeitos da secularidade, ao minar as em tempos impenetráveis paredes da autoridade clerical. À face da transformação das concepções religiosas, que os últimos cem anos testemunharam, mesmo o actual eclodir de reacções fundamentalistas pode vir, em retrospectiva, a ser olhado como pouco mais do que acções desesperadas de defesa contra uma inevitável dissolução do controlo sectário. Nas palavras de Bahá'u'lláh, "Não pode haver dúvida alguma de que os povos do mundo, de qualquer raça ou religião, derivam a sua inspiração de uma só Fonte divina e são os súbditos de um único Deus."[1]

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NOTAS
[1] - Bahá'u'lláh, Selecção de Escritos de Bahá’u’lláh, CXI


Marco Oliveira [POVO DE BAHÁ]

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