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segunda-feira, dezembro 6

 

Quem está a Escrever o Futuro? (1)

NOTA: O texto seguinte é um excerto de documento publicado pela Comunidade Internacional Bahá'í, intitulado "Quem está a escrever o futuro?". Trata-se de uma reflexão - à luz dos ensinamentos de Bahá'u'lláh - sobre a evolução da humanidade ao longo do século XX. Devido a extensão do documento, este será publicado gradualmente. Os subtítulos, as frases a bold, e entre parentesis recto, assim como algumas notas são a minha responsabilidade.
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PARA ONDE CAMINHA A HUMANIDADE?

A trave-mestra da mensagem de Bahá'u'lláh consiste em expor a realidade como sendo, fundamentalmente, de natureza espiritual, e as leis que governam o operar dessa realidade. Não só vê o indivíduo como um ser espiritual, "uma alma racional", mas também insiste que todo o empreendimento, a que nós chamamos civilização, é, em si mesmo, um processo espiritual, no qual a mente e o coração do homem criaram progressivamente meios mais complexos e eficientes de exprimir as suas capacidades morais e intelectuais.

Rejeitando os dogmas vigentes do materialismo, Bahá'u'lláh apresenta uma interpretação oposta do processo histórico. A humanidade, ponta de lança de evolução da consciência, passa por estádios análogos aos períodos da infância e da adolescência nas vidas dos seus membros individuais. A viagem transportou-nos até ao limiar da vinda tão desejada da nossa maturidade como raça humana unificada. As guerras, a exploração e o preconceito, que marcaram estádios de imaturidade no processo, não deveriam ser causa de desespero, mas sim um estímulo para assumir as responsabilidades da maturidade colectiva.

Escrevendo a líderes políticos e religiosos do seu tempo[1], Bahá'u'lláh afirmou que novas capacidades de incalculável poder – para além daquilo que a geração de então podia conceber – estavam a despertar nas pessoas, capacidades essas que, em breve, transformariam a vida material do planeta. Era essencial, disse Ele, fazer destas vantagens materiais emergentes veículos de desenvolvimento moral e social. Se conflitos nacionalistas e sectários impedissem isto de acontecer, então o progresso material produziria não só benefícios, mas também males inimagináveis. Alguns dos avisos de Bahá'u'lláh despertam ecos severos na nossa era: "Coisas estranhas e espantosas existem na terra," preveniu ele. "Estas coisas têm capacidade para mudar toda a atmosfera da terra e a sua contaminação provará ser letal."[2]

A questão espiritual central que todos os povos enfrentam, diz Bahá'u'lláh, qualquer que seja a sua nação, religião ou origem étnica, é a do estabelecimento das fundações de uma sociedade global que reflicta a unidade da natureza humana. A unificação dos habitantes da terra não é nem uma remota visão utópica, nem, em última análise, uma questão de escolha. Constitui o próximo, inevitável estádio, para o qual toda a experiência do passado e do presente nos impele. Até esta questão ser reconhecida e tratada, nenhum dos males que afligem o nosso planeta encontrará soluções, porque todos os desafios da era em que nós entrámos são globais e universais, e não particulares ou regionais.

Muitas das passagens dos escritos de Bahá'u'lláh, que tratam da maturidade da humanidade, estão impregnadas pelo seu uso da luz como uma metáfora para apreender o poder transformador da unidade: "Tão poderosa é a luz da unidade", insistem, "que pode iluminar toda a terra."[3] A afirmação coloca a história corrente numa perspectiva agudamente diferente daquela que prevalece no final do séc. XX. Urge-nos a encontrar – dentro do sofrimento e apatia dos nossos tempos – a operação de forças que estão a libertar a consciência humana para um novo estádio na sua evolução. Convida-nos a reexaminar o que tem estado a acontecer durante os últimos cem anos, bem como o efeito que estes desenvolvimentos tiveram na massa heterogénea de povos, raças, nações e comunidades que os experimentaram.

Se, tal como Bahá'u'lláh afirma "o bem-estar da humanidade, sua paz e segurança são irrealizáveis, a não ser que, primeiro, se estabeleça firmemente a sua unidade" [4], é compreensível porque é que os Bahá’ís vêem o séc. XX – com todos os seus desastres – como "o século da luz."[5] Estes cem anos testemunharam uma transformação, tanto no modo como os habitantes da terra começaram a planear o seu futuro colectivo, como no modo em que nós começamos a olharmo-nos mutuamente. O cunho de ambos tem sido um processo de unificação. Convulsões, que escaparam ao controlo das instituições existentes, obrigaram os líderes mundiais a implementar novos sistemas de organização mundial, que seriam impensáveis no início do século. Enquanto isto ocorria, uma rápida erosão ultrapassava hábitos e atitudes que tinham dividido povos e nações durante séculos incontáveis de conflito, e que parecia que iriam subsistir durante eras vindouras.

Em meados do século XX, estes dois desenvolvimentos produziram uma brecha, cujo significado histórico apenas as gerações futuras apreciarão devidamente. Em consequência do choque da Segunda Guerra Mundial, líderes de visão ampla acharam, finalmente, possível, através da organização das Nações Unidas, começar a consolidar os fundamentos de uma ordem mundial. Há muito sonhado por pensadores progressistas, o novo sistema de convenções internacionais, e de agências a elas ligadas, era agora dotado de poderes cruciais, que tinham sido tragicamente negados à abortiva Liga das Nações. Com o avançar do século, os músculos primitivos do sistema de manutenção internacional da paz foram de tal forma progressivamente exercitados que demonstraram, de modo persuasivo, o que podia ser atingido. Com isto, veio a rápida expansão das instituições de governação democrática por todo o mundo. Se os efeitos práticos ainda nos desiludem, isto de modo algum diminui a mudança histórica e irreversível de direcção, que teve lugar na organização dos assuntos humanos.

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Notas
[1] - Para exemplos, ver
Rainha Vitória, Napoleão III, Kaiser Guilherme I, Papa Pio IX e Francisco José.
[2] - Bahá'u'lláh, Epístolas de Bahá'u'lláh reveladas depois de Kitab-i-Aqdas
[3] - Bahá'u'lláh, Epístola ao Filho do Lobo
[4] - Bahá'u'lláh, Selecção de Escritos de Bahá'u'lláh, CXXXI
[5] - 'Abdu'l-Bahá, Promulgação da Paz Universal
[6] - Bahá'u'lláh, Selecção de Escritos de Bahá'u'lláh, CXI


Marco Oliveira [POVO DE BAHÁ]

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