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quarta-feira, dezembro 8

 

Qual o modelo socio-económico ideal que, do meu ponto de vista, poderá decorrer de uma concepção cristã da vida? (1)

Por diversas vezes, nomeadamente aqui, defendi a necessidade de regras mundiais uniformes, regras sociais em sentido lato, que englobem, nomeadamente, regras sociais em sentido estrito, regras fiscais e regras ambientais, que impedissem a globalização económica de ser o capitalismo selvagem do século XIX de volta no século XXI.
Julgo ter explicado porque é lógico para um cristão assumir tal luta (o Papa chama-lhe a luta por uma "globalização solidária") como uma consequência da sua religião.


O tema que hoje e em próximos posts aqui abordarei, visa responder à seguinte pergunta: será que uma economia globalizada, socialmente regulada em termos mundiais, é o modelo económico ideal para um cristão?
Respondo desde já: não me parece. Uma sociedade desse tipo facilitaria a luta política contra a pobreza e as desigualdades mas vejo-a apenas como uma sociedade de transição. Perguntará o leitor: transição para onde?
Transição para a sociedade ideal para um cristão: a sociedade do amor, uma sociedade em que, voluntariamente, todos apliquem o princípio comunista "de cada um segundo as suas capacidades a cada um segundo as suas necessidades". E este princípio não seria apenas um princípio socio-económico mas um princípio universal orientador da conduta individual em todas as suas dimensões. Porque esse é o princípio do amor. E é um princípio orientador que deve constituir trave mestra do comportamento cristão já, aqui e agora.
A luta por uma economia globalizada, socialmente regulada em termos mundiais, é, por isso, uma luta por um objectivo de curto prazo. A luta contra a pobreza e as desigualdades no quadro actual de uma economia liberalizada em termos mundiais mas compartimentada por diferentes regulamentações sociais aplicáveis a nível nacional é particularmente difícil.


Os detentores do capital no mundo desenvolvido vão invocando a inexistência de regras sociais nos restantes países como razão para eliminar ou impedir a existência de regras sociais no mundo desenvolvido em nome da manutenção da competitividade. E os detentores de capital nos países em desenvolvimento vão defendendo a continuação da inexistência de regras sociais nos seus países para assim assegurarem a competitividade face ao mundo desenvolvido.
E neste jogo de empurra dos capitalistas internacionais, os pobres e os trabalhadores do mundo inteiro é que vão pagando a factura.
Bastaria a existência de regras sociais redistributivas estabelecidas mundialmente para que os mais pobres de todo o mundo vivessem em condições de dignidade.
Um imposto mundial sobre as grandes fortunas impediria os ricos de ser tão ricos e os pobres de ser tão pobres. Sem que os pobres dos países pobres (e por vezes dos países ricos), tivessem, para sobreviver, que trabalhar em condições violadores dos mais elementares princípios de dignidade humana.


Mas, e como seria na tal sociedade ideal de economia globalizada socialmente regulada em termos mundiais?
Admitindo que a redistribuição de recursos afecta o crescimento económico (porque existiriam recursos que seriam destinados à manutenção da dignidade humana de todos os homens e que, portanto, não seriam afectos à produtividade), em que condições é moralmente admissível privilegiar o crescimento económico em detrimento da justiça social?
E quais os objectivos nacionais da luta política de um cristão nesta fase (de uma economia liberalizada em termos mundiais mas compartimentada por diferentes regulamentações sociais aplicáveis a nível nacional)?
Irei tentar, se Deus quiser, responder a esta questão em dois próximos posts.


Timshel [TIMSHEL]

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