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quarta-feira, dezembro 22

 

O meu Natal

[Paula Rego, Virgem grávida, Capela do Palácio de Belém]

Não é coisa digna de relato. Vivido em família, com os dramas de todas as famílias espalhadas pelo país. Experimentam-se todos os anos fórmulas de viver de forma mais autêntica esse Natal, acolher o Menino. Mas acabamos por notar que não se escapa à fórmula (também já velha) de só mais esta prenda.
A prenda, afinal, não tem de ser diabolizada: pode ser o elo do afecto tantas vezes esquecido ou "obliterado" na agenda dos dias e dos trabalhos de todos nós. Claro que não precisa de ser a prenda de muitos euros, claro que podemos pensar sempre numa partilha com quem precisa. Mas, porventura, o desafio está em multiplicar essas prendas pelos 365 dias do ano. Não é fazer Natal todos os dias, é construir e reforçar os laços e os afectos que sublinhamos (apenas?) nesta época. O Natal pode ser a porta final que se abre de uma caminhada feita com amigos, família, colegas.
Por fim, não resisto a trazer um poema de Jean Debruynne, traduzido pelo padre José Manuel Pereira de Almeida*. Afinal, está a chegar o Natal...

Se os teus filhos não quiserem ir
à missa de Natal,
não digas: "Já não têm fé!"
Diz só:
"Eles não vão à missa".
Quem te encarregou de avaliara medida e o grau da fé
deste ou daquele?
Não esqueças nunca o Evangelho!
Foi diante daquela pagã,
a Cananeia,
ou daquele idólatra,
o centurião romano,
que Jesus exclamou,
cheio de alegria:
"Nunca vi, em Israel,
uma fé igual à tua!"
Se a tua filha vive com um amigo
sem ser casada,
não digas: "Ela vive em pecado!"
Diz: "A minha filha vive com um amigo".
Foi, por acaso, a ti que Deus mandou
organizar o juízo final?

Se os teus netos não são baptizados
ou não vão à catequese,
não andes a dizer a quem te queira ouvir:
"Não querem saber da Igreja nem dos sacramentos..."
Que sabes tu dos secretos encontros
que Deus pode ter
com os teus netos?
Estas estranhas surpresas
de que ninguém conhece nem o dia nem a hora?
Sabes que nunca foram tantos,
como neste tempo,
os baptismos de adultos?
Deixa que a fé dos teus netos
não esteja só nas tuas mãos
e não dependa só de ti.

Mas é porque seique sofres com tudo isto
e que corres mesmo o risco
de sofrer ainda maiscom as reuniões de família
que aí vêm,
que eu queria poder iluminar
o teu olhar com uma estrela.
Ser capaz de olhar o outro
como um filho de Deus
e não como um não-praticante,
vê-lo com a mesma ternura com que Deus o vê,
encontrar o outro como alguém a quem se deve amar
e não como presumível culpado,
É o sinal mais concreto
de que chegou o Natal
e de que é bem verdade
que Deus se fez homem.

* - in «Notícias de Santa Isabel» [paróquia de Lisboa], Dezembro de 2003

Miguel Marujo [CIBERTÚLIA]

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