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quarta-feira, dezembro 15

 

Notas praticantes

Perguntam-me se ir à Igreja (ser "praticante", como se diz na rua) faz de mim uma pessoa melhor. Claro que faz. Se não fosse "praticante" (seja lá o que for isso de ser "não-praticante") seria uma pessoa pior.

Gabo a paciência de alguns meus conterrâneos para com os
militantes ateus. Os rapazes (e raparigas) têm uma missão hercúlea, é certo. «Escolheram acreditar que Deus não existe», dizem na sua apresentação. Eu, se pudesse, também escolhia não acreditar em alguma coisa. Ou acreditar noutras. Não sei é como se pode escolher acreditar ou não acreditar. Eles também não explicam. Mas adiante.
O ponto é que, ao contrário do que se propõem - e do que o conceito indicia -, os seus ataques, fruto da não-crença (que "escolheram") não se dirigem Àquele em que não acreditam, mas aos que acreditam n'Ele. Reconheço que isto até faz algum sentido, visto que ainda seria mais absurdo discutir com alguém que se defende não existir, como fazem alguns outros ateus, mas ao focar a sua mira nas religiões (enquanto «instituições»), o tiro sai claramente ao lado. Caso Deus não exista, as religiões ficam reduzidas à sua expressão mais simples, institucional, associativa (as tais «pessoas unidas»), que procuram «a verdade e o conhecimento» e também «centram as suas atenções na humanidade». No fundo, como os nossos irmãos ateus pretendem.
De resto, até subscrevo a defesa da «separação entre Estado e Igreja para construir um mundo mais livre onde todos possam co-existir pacificamente independentemente das suas crenças ou opiniões, onde todos possam expressar os seus sentimentos e ideias, e onde todos ponham a humanidade e a vida na Terra como o centro das nossas preocupações e cuidados» e a recusa do «pensamento uniforme e a massificação de ideologias» e também quero «que todos tenham o direito a escolher o seu modo de pensar e de viver, sem medo do preconceito e da intolerância». Mesmo do pre-conceito "Deus Não Existe" (ou a certeza negativa, bem contrária aos princípios enunciados de «pensar, duvidar e de questionar») e da intolerância de quem escolhe não acreditar.

Carlos Cunha [
A QUINTA COLUNA]

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