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quarta-feira, dezembro 22

 

A escuta

Perguntar-me-ão: qual o sentido que faz falar em “Escuta” na blogosfera?
Não é possível "escutar" na blogosfera pois a escuta não é visível. Falar em "Escuta" na blogosfera é um contradictio in adjecto, uma contradição nos próprios termos. Quando se fala, quando se escreve, quando nos exprimimos, estamos a solicitar a escuta dos outros mas não estamos de maneira nenhuma a escutar.
Dir-me-ão que nesta imensa cacofonia que é a blogosfera, escrever sobre a "escuta" é apenas mais uma aberração própria do meio.
Como escreveu Milan Kundera, em 1978, em "O livro do riso e do esquecimento", «quando um dia (muito em breve) todos os homens acordarem escritores, terá chegado o tempo da surdez e da incompreensão universais».

Mas é esse o desafio que aqui deixo. Descobrir a escuta na blogosfera. Descobrir a escuta também fora da blogosfera pois embora pareça mais fácil é muito difícil praticá-la quotidianamente. Mas será também possível "escutar" na blogosfera, escutar blogando?
Quando comecei a escrever este post lembrei-me de ir ver o que existe no site do Vaticano sobre a escuta .
Descobri alguns textos fabulosos ("A Fome no Mundo", por exemplo), mas gostaria de aqui deixar um excerto da homília proferida em 25 de Janeiro passado pelo Cardeal Walter Kasper: «Nós estamos habituados a falar da conversão dos outros. Contudo, a conversão deve começar em nós mesmos. Não devemos ver o argueiro na vista do nosso irmão, e não ver a trave que está na nossa própria vista (cf. Mt 7, 3). O ecumenismo encoraja-nos a exercer a autocrítica. Como disse o Santo Padre, ele cumpre também "a função de um exame de consciência" e deve ser uma exortação a pedir perdão (cf. Ut unum sint, 34). Não apenas os outros se devem converter, mas todos nós temos o dever de nos converter a Cristo. Na medida em que estivermos unidos a Ele, estaremos unidos também entre nós mesmos.
Gostaria de acrescentar o segundo ponto, que diz respeito ao diálogo. O diálogo é o método próprio do ecumenismo. Não se trata de um simples intercâmbio de pensamentos e de argumentações, mas é uma verdadeira permuta de dons (cf. Ut unum sint, 28). Não devemos concentrar-nos sobre aquilo que falta nos outros, mas prestar atenção aos seus pontos de força, à sua riqueza. Podemos aprender uns dos outros, enriquecendo-nos reciprocamente. Devemos ser uma bênção uns para os outros. Por conseguinte, é falso pensar que o ecumenismo é um processo de empobrecimento, onde o encontro com o outro tem lugar em redor de um mínimo denominador comum. Pelo contrário, o ecumenismo nada faz perder: é um processo de crescimento e de enriquecimento. Através do diálogo, o Espírito quer orientar-nos para toda a verdade (cf. Jo 16, 13). Portanto, é preciso ter a humildade e a capacidade de reconhecer que também nós temos necessidade dos outros. A virtude principal dos cristãos não é a arrogância ou a obstinação, mas sim a humildade. E por que motivo isto não deveria valer também para o ecumenismo?»

(UF!!consegui escrever este texto sem falar uma única vez no Natal)

Timshel [TIMSHEL]

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