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quarta-feira, dezembro 15

 

Egocentrismo

Estava a pensar inicialmente colocar aqui hoje a segunda parte do texto que comecei a semana passada. Mudei de ideias. Tenho algumas dúvidas relativamente ao que tencionava escrever (a blogosfera é uma fonte de dúvidas, manifestamente difícil para fundamentalistas e dogmáticos).
Mas não são essas dúvidas que me impedem de escrever o referido texto (elas até poderiam aumentar a sua qualidade).
O que se passa é que não ando satisfeito com os textos que aqui escrevo. Não ando satisfeito com a minha intervenção neste blogue. Se calhar também não devia andar satisfeito com o blogue em que escrevo a título pessoal mas esse problema não se coloca por variadas razões.
Primeiro porque não escrevo normalmente textos longos nesse blogue. Textos longos exigem trabalho, inteligência, elegância de estilo, graça e Graça. Não me parece que a hereditariedade ou o meio ambiente tenham sido particularmente generosos para comigo nessas capacidades. Sobretudo se, pelo menos no que respeita à primeira, existirem outras dimensões da minha vida que exijam também uma (exigente) quota-parte dessa capacidade.
O segundo motivo pelo qual esse blogue não me levanta problemas é que o escrevo sem qualquer auto-exigência. Escrevo aquilo que me passa pela real gana, tentando não magoar ninguém (nem sempre o consigo, infelizmente, bem pelo contrário), sabendo que sou responsável apenas perante mim. Aqui tenho o dever de corresponder às expectativas dos meus amigos.
Terceiro, embora não exista essa obrigação, sinto que devo escrever aqui todas as semanas. Tal como o alcoólico em tratamento sei que na semana em que aqui não escrever nunca mais escreverei.
Quererá isto dizer que a aversão que tenho a escrever aqui só é comparável ao prazer que me dá apanhar uma bebedeira?
Penso que sim. Penso de facto que não gosto de escrever textos longos. Que não gosto que as pessoas tenham expectativas na minha pessoa. Que não gosto de cumprir o meu dever.
Quarto. Poderia invocar em minha defesa que existem muito poucas coisas importantes no mundo sobre as quais valha a pena escrever. Que no que diz respeito a essas poucas coisas importantes elas podem ser ditas em poucas palavras. Que não convém repeti-las muito para não se transformarem em lama na boca de quem está sempre a dizê-las. Que o importante não é dizê-las mas sim fazê-las. Tudo o resto é ruído.
Mas não acredito integralmente neste argumento. Se algumas vezes ele é verdadeiro, ele traduz sobretudo preguiça em comunicar, preguiça em partilhar. Porque mesmo ideias simples ou tolas são um bom pretexto para a realização do Homem. Ele realiza-se sobretudo a partilhar e a partilha do Tempo e da Palavra é tão ou mais importante que a partilha do Pão.
Até para a semana.

Timshel [TIMSHEL]

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