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quarta-feira, novembro 3

 

Um consenso mínimo entre os humanos

Entre esta terça e quarta-feira, do outro lado do Atlântico decide-se/joga-se/vota-se muito do nosso mundo. Não o digo com ares apocalípticos. É uma constatação. Simples - de que ali mora a superpotência que decide/joga/vota o nosso futuro e que faz a guerra sem cuidar dos vivos.
Ao contrário dos bushistas de trazer por casa, o mundo é demasiado importante para eu não reclamar uma palavra. Mas faço minhas as palavras de outros. Também do outro lado do Atlântico, mas do Sul tantas vezes esquecido, Leonardo Boff (brasileiro, teólogo franciscano, "afastado" do ensino e do exercício sacerdotal pelo Vaticano) propõe-nos um «Ethos Mundial - Um consenso mínimo entre os humanos» (Rio de Janeiro: Sextante, 2003, pp.107-109).
Escrevo sem saber quem ganhou – mas porque é preciso não perdermos de vista o essencial!
«Em 1970 celebrou-se uma conferência mundial das religiões em favor da paz, em Kyoto, no Japão. Ali se tentou traçar as virtudes de um ethos mundial. Entre outras coisas, foi dito:
- há uma unidade fundamental da família humana, na igualdade e dignidade de todos os seus membros;
- cada ser humano é sagrado e intocável, especialmente em sua consciência;
- toda comunidade humana representa um valor;
- o poder não pode ser igualado ao direito. O poder jamais se basta a si mesmo, não é jamais absoluto e deve ser limitado pelo direito e pelo controle da comunidade;
- a fé, o amor, a com-paixão, o altruísmo, a força do espírito e a veracidade interior são, em última estância, muito superiores ao ódio, à inimizade e ao egoísmo;
- deve-se estar, por obrigação, do lado dos pobres e oprimidos e contra seus opressores;
- alimentamos profunda esperança de que, no final, a boa vontade triunfará.Aqui se nota um consenso ao redor de valores que, observados, poderão salvar a Terra, resgatar os excluídos e dar sentido às lutas dos que buscam vida e liberdade. Mais do que prescrições, são apelos, chamamentos ao melhor do que existe em nós. O lado luminoso poderá redimir o lado sombrio que sempre nos acompanha.
O cristianismo-ecuménico se soma a essa convergência das religiões mundiais. Na esteira de Hans Küng, podemos postular (Projekt Weltethos, pp.93-96):
- não só a razão, mas também o coração;- não só a cultura material, mas também a espiritual;
- não só liberdade, mas também justiça;
- não só igualdade, mas também pluralidade;
- não só coexistência, mas também paz;
- não só produtividade, mas também solidariedade para com a natureza e as gerações futuras;
- não só tolerância, mas também ecumenismo;
- não só a Terra, mas também o cosmos;
- não só o cosmos, mas também a Fonte originária de todo ser, Deus;
- não só a vida terrenal e a morte, mas também a ressurreição e a vida eterna.
Iniciamos nossas reflexões aceitando o desafio de três questões globais: os empobrecidos do mundo, os desempregados estruturais e o clamor da Terra. Para debelar essas questões, precisamos de um consenso mínimo sustentado pela razão cordial, pelo cuidado essencial, pela reverência em face de cada realidade, da Terra e do cosmos. Essa atitude significa o ethos básico que poderá dar origem a muitas expressões morais, consoante a diversidade das culturas, das tradições e dos tempos. Mas todas elas devem expressar o mesmo ethos e a mesma boa vontade fundamental de servir à vida, defendê-la, expandi-la e permitir que ela continue a fazer sua trajetória no universo rumo à Fonte originária de toda vida.
Aos que despertamos para a urgência dessas questões, a história nos impôs esta missão: alimentar a chama sagrada que arde em cada ser humano, qual lamparina santa, com óleo da veneração e do cuidado essencial. Somente assim garantiremos que o Ethos essencial que habita o ser humano continue a ser seu anjo protetor e jamais seja ofuscado ou extinto da face da Terra.»


Miguel Marujo (CIBERTÚLIA)

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