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quarta-feira, novembro 10

 

Podre de rica!

Uma Igreja rica e opulenta, de cofres cheios e monetariamente mercenária. É assim que críticos e zangados olham para Roma ou para a casa paroquial, com desdém dos anéis do senhor. As fábricas das paróquias são frutos apetecidos e espoletam guerras intestinas, na melhor faca e alguidar para telejornal em horário nobre – e lá se vai o recato devido às coisas da fé. Mas essa é outra matéria – o que aqui nos traz é de outra ordem material: o pilim, o graveto, o dinheiro, a riqueza claro está. Que a Igreja é do mundo e no mundo só assim se governa.

A Igreja tem dinheiro. Muito dinheiro – mas nem todo é mensurável (a riqueza patrimonial dos museus do Vaticano ou a talha dourada de uma qualquer igreja barroca) e nem todo é censurável (numa IPSS de boa gestão e melhor partilha). Mas entre o ideal de pobreza franciscana e a obscena riqueza de ordens religiosas pré-República vai uma grande distância.

Do reino do Mal, há histórias de vil metal. A do Banco Ambrosiano (que origina uma mais interessante teoria conspirativa em «O Padrinho III» que "códigos" recentes) borra toda – ou ainda mais, dirão críticos e zangados – a pintura. Definitivamente: cardeal não rima com banqueiro. Mas é possível que o dinheiro não estrague o manto do Senhor dos Passos.

Primeiro: dispam-se de notas os santos que vão de procissão pelas ruas (antes havia uma deliciosa ironia com os mantos cobertos de Santos Antónios ou Bocages, perdida agora nos euros globalizados).
Segundo: partilhe-se donativos e promessas. Ou restrinja-se cada vez mais (para acabar de vez com...) as encomendas das almas que vivem de transacções comerciais. Tornem-se públicas contas, para um deve e haver de transparência entre fiéis e pastores.
Terceiro: generalize-se a prática de uma remuneração partilhada de padres e religiosos, para evitar a história de ricos e pobres entre o clero – e de paróquia para paróquia, ou de diocese para diocese.

Retome-se a procissão, que agora sai do adro. E não se tenha medo – mas como mais dificilmente o rico chegará aos céus do que o camelo passará o buraco da agulha, é bom desconfiar sempre do pilim. E do "muito" multiplicar, como o pão. Não é preciso nenhuma concordata para concordar com este caminho.


Miguel Marujo [CIBERTÚLIA]

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