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quarta-feira, novembro 10

 

O último almoço grátis (o que andava a fazer Deus antes de ter criado o Universo?)

Julgo que foi um professor de Fisica Nuclear do MIT, Alan Guth, que disse que o nascimento do Universo foi o último almoço grátis. De facto, a célebre declaração de Lavoisier "na natureza nada se cria e nada se perde: tudo se transforma" só é verdadeira a partir do Big Bang. Só o Universo nasceu a partir do nada.
Isto não é, aparentemente, inteiramente verdade. Parece consolidar-se nos meios cientítficos a ideia de que antes existia qualquer coisa: informação pura, o instanton (para não falar de outras teorias ainda mais metafísicas como a teoria dos "universos paralelos"), algo para o qual os cientistas até descobriram a forma.
Com efeito, num artigo do New York Times (22/5/2001), Dennis Overbye escreveu: "The universe, up to and including its origin, is then represented by a single conical-shaped mathematical object, known as an instanton, that has four spatial dimensions (shaped roughly like a squashed sphere) at the Big Bang end and then shifts into real time and proceeds to inflate. "Actually it sort of bursts and makes an infinite universe," said Dr. Neil Turok, also from Cambridge University. "Everything for all future time is determined, everything is implicit in the instanton."

Uma pergunta que sempre atormentou os físicos foi a de saber o que apareceu primeiro, o Universo ou as leis que o regem. Numa célebre expressão do Professor Linde, "se não havia leis como é que o universo apareceu?"
Ignoro exactamente a natureza de um "objecto matemático" (o "instanton") que se apresenta como simples informação provinda de um "tempo" em que os conceitos de tempo e de espaço tal como os concebemos não fazem sentido. Resumo-me por isso ao único consenso científico possível actualmente, o de que se trata de simples informação.
Escrevi aqui há uns tempos que "não deixa de ser curioso que tudo o que nós somos é também, de um certo ponto de vista, simples informação. O ADN é um código informativo. Nós somos os produtos da informação genética e ambiental, mais próxima ou mais remota. Os nossos antepassados que já morreram, vivem de facto. São a informação genética e ambiental que nós somos. Aquilo que somos fisicamente e aquilo que pensamos é a informação transmitida pelos nossos antepassados. Nós somos à sua imagem e semelhança. E eles, eram à imagem e semelhança de quem? Da informação que existia antes de existir o Universo?"
Se o Universo teve em tempos a dimensão de um simples átomo e se a partir do seu nascimento nada se ganhou nem nada se perdeu mas apenas tudo se transformou, parece que as leis (as informações) que determinaram o nascimento do Universo contêm em si uma estranha mais-valia que parece metafísica: como é possível que tudo o que existe actualmente no mundo e no Universo tenha origem e se limite apenas a algo que existiu com as dimensões de um simples átomo?

O problema parece-me, contudo, um pouco mais sério. Se agora existe o Bem e o Mal então a informação que deu origem ao Universo continha também em si o Bem e o Mal. Talvez apenas o Homem tenha a consciência do Bem e do Mal e o poder de, ajudado por Deus, escolher o Bem e erradicar o Mal. O problema da escolha entre o Bem e o Mal leva-nos contudo demasiado longe: ao determinismo versus indeterminismo, ao funcionamento dos sistemas complexos (de que um exemplo clássico é o próprio Homem) e à tomada de decisões dentro destes sistemas, à própria natureza humana (genes e memes). Fica tudo isto para próximos posts.
Por agora, e para responder à pergunta "O que andava Deus a fazer antes de criar o Universo?" lembro-me da resposta de Santo Agostinho a esta pergunta: "Andava extremamente ocupado a criar o Inferno para aqueles que se lembram de fazer tais perguntas".
Mais a sério: o período em que não houve almoços grátis foi desde o nascimento do Universo até há 2004 anos atrás.

Timshel [TIMSHEL]
Comments:
Quem disse está frase foi Antoine Laurent Lavoisier.
A lei de Lavoisier, também conhecida por lei da conservação da massa, como o próprio nome indica, foi descoberta em 1785 pelo químico francês Antoine Laurent de Lavoisier (1743-1794), considerado o pai da química moderna. Segundo esta lei, nas reacções químicas em sistema fechado, a soma total das massas das espécies envolvidas na reacção (reagentes) é igual à soma total das massas das substâncias produzidas pela reacção (produtos de reacção), ou seja, num sistema químico fechado em reacção, a massa total permanece constante.
Esta lei também pode ser enunciada da seguinte forma: "Na Natureza nada se cria e nada se perde, tudo se transforma".
 
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