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quarta-feira, novembro 24

 

Eu te saúdo, Maria

Maria, tu podes: és mãe de Deus!
Maria, tu queres: és nossa mãe!
(Cantilena dos peregrinos ao Sameiro)

Saúdo-te, Maria, mas nunca soube muito bem o que pensar de ti. Não sei se foste concebida sem pecado. Não sei se o teu corpo ascendeu aos céus, tal como o do Teu Filho. Não sei se permaneceste imaculada ou se deste filhos naturais ao bom José. Não sei qual o papel que desempenhas hoje no Céu, junto do Deus Trino. Não sei se apareces de quando em quando a esta gente aflita que gosta de se sentir tua filha. Não sei se intercedes ainda por nós.
Mas sei, isso sim, que sendo tu como nós, Deus escolheu-te para encarnar no teu seio, para de ti nascer, viver e morrer entre nós e por nós. Como nós todos, tu conténs em ti a imagem e semelhança de Deus, com que Ele nos criou. Mas tu contiveste também a substância Dele. Tu deste-lhe também um pouco da tua própria imagem e semelhança. E se Ele ofereceu a vida por nós todos, a ti Ele ofereceu incomparavelmente mais: como teu Filho, Ele deixou-Se conhecer por ti, inteiramente, como toda a mãe conhece o seu filho. Por ti e unicamente a ti, ele prescindiu da Sua incognoscibilidade. E só tu o compreendeste sempre, inteiramente, durante os trinta anos do vosso silêncio, durante os três anos da Sua revelação ao Mundo, durante os três dias da Sua Páscoa.
E sei que foi de ti que João Evangelista, o discípulo por Ele amado, aquele que se fez teu filho pelo resto dos teus dias, teve o conhecimento verdadeiro do teu filho Jesus, aquele conhecimento que torna tão diferente e tão único o seu Evangelho. Ora foi este mesmo João, talvez olhando para ti, que nos disse a nós outros que «não se manifestou ainda o que havemos de ser. Sabemos que, quando isto se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porquanto O veremos como Ele é». A ti manifestou-se, em tua vida tu viste-O tal qual Ele é, assim recuperaste tu a tua semelhança com Ele. Tu tornaste-te Um com Ele e Ele contigo. Ainda em tua vida, tu já estavas Nele e Ele em ti.

Por isso, muitos que Nele acreditaram, quiseram acreditar que tu sempre estiveste em Deus, isenta de pecado como Deus é isento de pecado. E sem morte corporal pois, em tua vida, tu já tinhas chegado a Deus, como nunca tinha acontecido nem voltou a acontecer. E sendo tu uma de nós, quiseram também acreditar que estando tu em Deus, tornaste-o mais próximo de nós que andamos por aqui. E como tal, para ti viraram a sua Fé, aquela Fé que não é apenas acreditar e compreender mas também entregar assim a nossa esperança.
E também por isso, Maria, eu que não costumo pedir-te nada, eu que gosto de ti mais do que te adoro, eu compreendo bem todos aqueles que invocam a tua intercessão, aqueles que sabem da tua imaculada concepção, aqueles louvam a tua imaculada condição, aqueles que te chamam Raínha, aqueles que se colocam sob a tua protecção, aqueles que suspiram por um sinal teu. É precisamente pensando neles e em ti, que eu às vezes me pergunto: o que é afinal a teologia ao pé da Fé?

Tu que me viste no Sameiro, pasmando para aquela gente simples que entoava ladaínhas absurdas em teu louvor, não deixaste contudo que aquele detestável e costumeiro desprezo me invadisse o coração. Pois pensando em ti e naquilo que tu fostes, senti que o Deus de quem aqueles meus irmãos na Fé dizem tu seres Mãe, esse Deus em que acredito certamente se comprazia neles.
Por isso, eu te saúdo, Maria, pois estás em Deus e és verdadeiramente Mãe.

José [
GUIA DOS PERPLEXOS]

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