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quarta-feira, novembro 17

 

Autoridade, um tema, vários temas.

Sem que eu perceba grande coisa de latim, dizem-me que autoridade pensada em latim tem a ver com autor, o autor que escreveu um documento – normalmente legal – e que por tê-lo escrito pode dar garantias da verdade do que nele se encontra consignado. Se pensarmos então autoridade por aqui, ela revela três coisas: um autor; um texto; uma garantia de verdade.

Com Nietzsche ou sem Nietzsche, hoje pensamos a autoridade de modo diferente. Mantemos a referência a uma fonte, a um indivíduo ou um conjunto de indivíduos, esquecemos o texto – o quadro legal, e vemos apenas a força. Pouco nos interessa a qualidade moral da fonte, do indivíduo, ou dos indivíduos: mentem e fazem a guerra; que importa? – há motivos de força maior, sejam eles quais forem, a religião ou geo-estratégia. E esquecemos que não há relação intra-individual, inter-individual, social, cósmica, que se aguente sem o laço da verdade. Mas isso parece não contar nos dias de hoje. E isso mereceria certamente outro texto.
Também pouco nos interessa o texto. Quanto de nós conhecem a constituição portuguesa ou as resoluções da ONU? – Interessa-nos sim, se a autoridade tem ou não tem força. Uma das diferenças que podem ser encontradas entre Bin Laden e Hitler é que o segundo teve força suficiente. Tivesse essa força o primeiro e teria provavelmente honras de estado.
… Mais outro tema.
De qualquer modo, se vemos a força, podemos também ver que nestes dois modos de conceber a autoridade, se contrapõe – pela sua terceira característica –, a verdade à força.
… E outro tema.
De facto, e não resisto a uma pincelada, não deixa de ser curioso que os nossos maiores libertadores, nos tenham deixado com um conceito que dificilmente se pode opor à força. A verdade, se anda de rastos na realidade, – não só no futebol e no dizer certeiro do antigo presidente do Vitória: o que hoje é mentira, amanhã é verdade, anda também de rastos na teoria. É histórica, subjectiva, consensual.
Seja.
Mas quem assim a vê, o que contrapõe à força?
Ao cacete?
«Desculpe lá mas o senhor antes de usar a arma devia primeiro ver se de facto as coisas são assim»
«Como!?»
«Relativo, caro Watson!»
E zás que se faz tarde.

Na aprendizagem, surgia outrora, um modo específico de conceber a autoridade. A autoridade que punha em jogo um professor competente, um texto com competência, um ensino que ensinava. Por aqui se justificava a submissão do aprendiz ao mestre. O mestre mecânico era respeitado na sua autoridade porque sabia e ensinava como se mudavam os pneus. Hoje, vivemos tempos pós modernos. E por isso habitamos a nostalgia dos técnicos.
… Ah, se em vez do Santana, tivéssemos quem percebesse de economia. Ah, se os economistas fizessem previsões que o fossem. Ah.
… Outro tema.

Aqui e ali, como é óbvio e tão óbvio que os USA vão comprando massa cinzenta por esse planeta azul fora, procuram-se profissionais competentes, textos competentes e acções eficazes. Pois é do mais elementar senso comum, e nem é preciso aprender isso em nenhum dos modos new age, MT, pose meditativa e transcendental, que enquanto um número limitado e suficiente meditar, a meditação é suficiente. É isto que de modo “perverso” alimenta a esperança nas elites.
… Outro tema.

E por hoje chega. Talvez um dia voltemos ao modo específico como o cristianismo concebe a autoridade. O que também mete um autor, Deus, Pai, Filho e Espírito Santo, um texto, e uma verdade: a do cuidado. Da caridade, se quiserem.

Jesus chamou-os e disse-lhes: «Sabeis como os governantes, das nações fazem sentir o seu domínio sobre elas e os magnates, a sua autoridade. Não deve ser assim entre vós. Quem quiser ser grande entre vós faz-se Vosso servo e quem quiser ser o primeiro entre todos, faça-se escravo de todos. Porque o Filho do Homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate de muitos». (Marcos, 10:42-45)

Fernando Macedo (
A BORDO)

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