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segunda-feira, outubro 11

 

Intervenção Divina 2

No meu post da semana passada, raciocinei sobre a impossibilidade lógica da omnipotência de Deus, e questionei a Sua bondade – se definimos bondade nos termos duma moral humana – perante o óbvio sofrimento injusto no mundo. Em vez disto propus que, se supomos um poder discricionário a Deus, a bondade que lhe podemos reconhecer não consiste na Sua actuação segundo um código moral, mas simplesmente no Seu poder de fazer-nos bem.
E isso remete para o Deus patriarca, o Deus Rei do Velho Testamento, que antes de mais deve ser temido.

Não fui educado para acreditar nele e, ao contrário de outras ideias que mais tarde encontrei ou redescobri, por iniciativa própria, na Bíblia, este Soberano autoritário, irascível, ciumento e apesar da sua lei incalculável, nunca me atraiu nem me convenceu. Como não fui educado no temor de Deus, nem no temor dos pais, nem de outras autoridades, o temor de Deus sempre me pareceu um motivo muito pouco nobre para a submissão sob a Sua vontade, e ainda mais para um comportamento ético.

Também nunca cheguei a sentir como necessário, até hoje, postular a sua existência sob o ponto de vista intelectual. Não acho que, se O estabelecemos como origem deste milagre que é o mundo e a nossa existência, esteja eliminado ou de qualquer forma diminuído o inexplicável, so seria transferido do mundo para Deus.

Mas Deus, ou o Divino – termo que prefiro por estar mais afastado duma ideia personalizada – que não se me apresentou através de herança, nem se impôs como explicação da origem do mundo e não como “papão” para assegurar um comportamento ético, revelou-se.

Quem ouve isso fica, provavelmente, logo de pé atrás: Revelação é uma palavra bombástica! Por isso digo já: Deus não me dirigiu a palavra à partir dum arbusto em chamas, não me apareceu como a virgem aos pastorinhos de Fátima. Mas revelou-se, sim. E feito o esclarecimento, não acho que retiro significado à palavra revelação. Se tenho alguma noção de Deus, então a tenho através de revelação. Não cheguei a tê-la por via da educação, nem por imposição através duma autoridade, nem por via do raciocínio lógico. O que resta é não tê-la.
Ou chegar a tê-la pela experiência.

Onde é que se me revela então Deus? Não se me mostra directamente, e às provas indirectas da sua existência e intervenção, as milagres, não dou, para dizer a verdade, muito crédito. Sou demasiadamente agnóstico para afirmar que não possam existir milagres, mas seja como for, milagres como aparições, ou outros fenómenos da suspensão das leis da natureza, em vez de me impressionarem, sabem-me a pouco, para não dizer que me parecem fútil.

Milagres sim, que me convencem, para lá de qualquer dúvida, de que há mais do que a nossa vida banal, encontro no comportamento humano. São os testemunhos de homens e mulheres, que me convencem não com palavras, mas com os seus actos, que Deus existe. Pessoas como Gandhi, Sophie Scholl, Maximilian Kolbe, e sim: Jesus de Nazaré. Pessoas que provam que há algo superior, mais nobre, do que as leis da natureza, e da assim chamada natureza humana, do egoísmo, da indiferença e do medo.
Chamo o Amor. Amor com maiúscula. É divino, mas está, à partida, ao alcance de todos nós. E concordo com o Fernando – que disse isso aqui há duas semanas –, que o Amor, a promessa do Amor, não morre, nunca, nem na mais desesperada miséria.


Lutz [QUASE EM PORTUGUÊS]

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