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quarta-feira, outubro 13

 

Casou com um padre? E nós com isso?!

primeiro capítulo


O livro tem uma capa feia. A remeter para épocas de outras senhoras. Apresenta-se como «o testemunho de uma vida» e, como tal, escreve-se na primeira pessoa, num estilo por vezes pungente. Mesmo confessional. «Casei com um padre» - anuncia o título. E lá dentro (ed. Notícias, Março de 2001, 1ª edição) conta-se a história em 108 páginas num generoso corpo de letra. Não cansa a vista, mas deve ter cansado leitores «inúmeros elementos da Igreja Católica, a começar pelos fundamentalistas», como descreve a autora, Fernanda Araújo.

O testemunho é, pois, uma denúncia. E traduz as suas (da autora) «ansiedades e angústias» que serão «também as ansiedades e angústias de uma sociedade ímpar que contínua e surpreendentemente se transforma e que, cansada de velhas doutrinas, quer novas doutrinas, cansada de palavras, quer acções, cansada de estatismos, quer viragens» (p.16)

«Casei com um padre» é interessante, como testemunho, mas vale mais pelos debates que podia ter iniciado - o do celibato, da reintegração de padres casados, da formação nos nossos seminários e de como vivem os padres da Igreja deste nosso tempo a sua sexualidade?

O debate morreu algures na esquina da história - nem sequer terá começado. Em Portugal, há esta capacidade para apenas importar debates de fora - como o de «Eu vos saúdo, Maria» ou «A Paixão de Cristo» - e esquecer alguns que são suscitados intramuros.

Em conversa por messenger, o nosso Rui Almeida, contribui para a minha breve "tese" de hoje: que também ele quer escrever sobre estes temas, «até pelo lado da defesa do celibato enquanto riqueza da Igreja». Riposto provocantemente: temos polémica. «Talvez não tanto. Acho que é uma questão que tem mais a ver com o bom senso do que com divisões», contrapõe o Rui. A seu tempo, ele explicar-se-á melhor. Eu paro para pensar: porventura terá razão. Mas manda o bom senso que o celibato, os padres casados e a sexualidade sejam temas abertos na Igreja, sem discussões fechadas ou dogmas certeiros e tardios.

Talvez assim se evitassem discursos sobre a culpa, tão cara a esta nossa cultura judaico-cristã, e à autora do livro: «Mas... se por mil motivos eu não queria nem quero culpabilizar o Padre X [com quem casou], eu quero culpabilizar convicta, muito convictamente, a Igreja. A Igreja é a própria culpa!» (p.65, sublinhado da autora).

«Casei com o padre», conta-nos ela. E nós com isso?! Voltarei ao assunto na próxima semana.

Miguel Marujo [CIBERTÚLIA]

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