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quarta-feira, setembro 22

 

Viagem à Madeira (1995-1996) – breves apontamentos

[A primeira viagem foi aqui anotada na semana passada]

Regresso ao jardim anos mais tarde. Das ruas do centro do Funchal desapareceram os “miúdos das caixinhas”. A Escola Aberta – um projecto original, do Movimento do Apostolado das Crianças, que os procurava “inserir” na escola – tinha sido fechada compulsivamente pelo governo regional. Mais e melhor betão oferecia Jardim no estertor do cavaquismo, garantindo eleições de maiorias absolutas.
Na Igreja Católica local, o rame-rame tinha-se instalado. Os padres que ousaram pedir mais e melhor democracia tinham sido dispersos pela ilha, alguns em paróquias quase isoladas. Estou a ser injusto para alguns que procuravam espaços alternativos de reflexão, mas a estratégia jardinística de tudo secar em volta também dava frutos nas comunidades eclesiais mais incómodas. Por exemplo, o MCE tinha sido atrofiado até ao apagamento quase total.
Por esta altura ganhava nova expressão a presença de padres nas listas de partidos políticos regionais. Aquilo que para uns seria normal (se fossem candidatos pelo CDS ou PSD), noutros atingia níveis de quase excomunhão: o padre Martins, da UDP (hoje no PS), o padre Tavares (no PCP/CDU) e o padre Edgar Silva (também no PCP/CDU).
Mais páginas gastas em jornais regionais e nacionais com as idiossincrasias madeirenses. Estamos longe do que deve ser? Um padre deve passar ao largo da política. O Edgar dizia-me que não. E ainda hoje ainda assim deve pensar. Os caminhos do Senhor são insondáveis, mas às vezes têm de seguir direcções inesperadas.
Como o daquele padre que, aos 60 anos, foi mandatário do Bloco de Esquerda no distrito da Guarda, nas legislativas de 2002. O padre de Castelo Mendo dizia então que a sua «experiência» não «incomodou» os seus colegas sacerdotes. E «os paroquianos [admiraram] a abertura» [PortugalDiário, 11-3-2002].
Também em Lisboa, a mandatária bloquista de então era católica: Isabel Allegro, do movimento Graal (movimento internacional cristão de mulheres, trazido para Portugal por Maria de Lurdes Pintasilgo) dizia que o seu apoio ao BE, «a título pessoal», «não tem qualquer contradição com a fé cristã». E acrescentava: «[Haverá] uma grande sintonia de muitas das propostas do BE com a mensagem evangélica, sobretudo na ideia da responsabilidade de todos por um “destino universal dos bens” e por uma justiça social efectiva» [PortugalDiário, 11-3-2002].
Em 2002, ou antes na Madeira, os católicos quiseram apenas dizer uma coisa muito simples. Não pode haver uma tutela paternalista sobre o sentido de voto ou a opção política de padres e leigos. Se o “microclima” da Madeira quase obriga a uma cidadania reforçada de participação política, hoje devemos continuamente questionarmo-nos sobre o sentido da coisa pública na nossa opção evangelizadora. Bater palmas e assobiar para o ar? Ou meter as mãos na terra e plantar um outro jardim? Esta é a opção, pois claro!


Miguel Marujo [CIBERTÚLIA]

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