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segunda-feira, setembro 6

 

Um genre de “reputação merecidamente duvidosa”

Em resposta ao meu último post, sobre Jiddu Krishnamurti, recebi um e-mail duma leitora, que reclamou contra alguma condescendência que descobriu nele.
A resposta que escrevi levou-me a a reflectir sobre a minha relação com as secções de esoterismo das livrarias, ou melhor, sobre o quê e o porquê do que penso sobre elas, ou seja, sobre o que se lá publica e as pessoas que as frequentam.
A resposta (só ligeiramente modificada) parece-me valer a pena ser publicado também aqui na Terra da Alegria:


Cara Leitora,
Em primeiro lugar, muito obrigado pelo seu e-mail. E obrigado pelo seu elogio da “Terra da Alegria” em geral.
Depreendo da sua crítica que não consegui exprimir-me bem. Reafirmo por isso aqui que não acho Jiddu Krishnamurti um autor de reputação - merecidamente – duvidosa. Pelo contrário. De facto não escrevi que Krishnamurti deve ser “arrumado num genre de reputação – merecidamente – duvidosa”, mas que é nele arrumado, o que é outra coisa.
Mas a sua crítica dirige-se, e isso já não consigo refutar com tanto à-vontade, também contra “alguma condescendência, ou sobranceira” que mostro – não em relação a Krishnamurti, mas em relação ao genre, ou seja ao que se encontra nas prateleiras da secção de esoterismo das livrarias.
Devo adiantar uma pequena confissão: Fiz toda essa introdução do post da última Segunda-feira, as referências biográficas e a afirmação de que partilho a opinhão de que este genre seria de reputação merecidamente duvidosa, por um motivo de retórica: Quis por-me do lado daqueles que não confiam no “esoterismo”, para ganhar autoridade junto deles para a minha defesa de Krishnamurti. A sua resposta mostra-me, que foi pelo preço de ser equívoco...

Mas não deixa de ser verdade que olho essas secções, todo esse “mundo”, que também se reflecte por exemplo no pinboard do restaurante vegetariano onde por vezes almoço, com cepticismo, e sim, agora que me confrontou com este termo, com alguma condescendência. Não é honroso, mas não seria honesto negá-lo. Reconheço que conheço este “mundo” menos de dentro do que de fora, mas devo dizer que o conheço um bocado, porque tenho amigos que nele se movem e trabalhei durante um ano, enquanto estudante, num centro “alternativo”, o “Werkhaus” de Munique. Ali havia (e provavelmente ainda há) um restaurante vegetariano, cursos de Meditação Transcendental, de “Rebirthing”, de Tarot, de Tai-Chi-Chuan, de Reiki, de Aromaterapia, de Yoga, cursos onde se aprendia as forças ocultas das pedras preciosas, onde se descobria as memórias das suas vidas anteriores, palestras de diversos iluminados do mudo que por ali passaram, e muito mais...
Sei que falar deste mundo como um todo é uma generalização já em si atacável. É um mundo muito vasto e muito diverso, que basicamente só tem duas coisas em comum: O desprezo com o qual é olhado pela maioria das pessoas que não o frequentam, e um genuino desejo de espiritualidade dos que o frequentam, que aparentemente não encontram respostas fora dele.
Há neste grande espectro de ideias e ofertas, que acima referi, de forma parcial e propositadamente desordenado, coisas para as quais tenho o maior respeito (Tai Chi Chuan, por exemplo, e Yoga), e outras que efectivamente considero charlatanaria.
No entanto não acho que cabe a mim, nem a uma instituição, separar o trigo do joio para os outros: Isso é algo que cada um tem que fazer para si.
Por outro lado não consigo achar desnecessário ou mal que a Igreja Evangelica Alemã tem desde há mais do que 20 anos um “encarregado para seitas”, a quem cabe vigiar as seitas que considera perigosas - e as há! - e tentar evitar que as pessoas, nomeadamente menores, ficam reféns delas.
Mas já confessei que partilho essa condescendência para com os adeptos do esoterismo, aquele sorriso irónico dos que estão fora deste mundo.
Tenho a certeza que para muitos que têm este sentimento seria tão difícil como para mim, explicar exactamente porque o têm.
Claro que é fácil dizer que se acha – ao contrário das pobres vítimas do esoterismo – demasiado seguro, informado e inteligente para cair nas armadilhas dos charlatães. Mas também suspeito que nesta repulsa está contido uma boa dose de medo: Não se quer sequer tomar contacto com aquilo, porque uma vez abrindo-se para essas questões, talvez não se é tão seguro como se julgava e ainda acaba como discípulo duma dessas seitas esquisitas. Que horror!
Mas é exactamente por considerar este receio - que compreendo tão bem porque não sou completamente livre dele - que acho o discurso de Krishnamurti tão importante:
Não vale submeter-se a um guru, seja qual for. Não vale agarrar-se a uma doutrina, seja qual for, para aguentar a exposição a experiência espiritual. Mas também não vale fugir a essa experiência!

Um abraço,

Lutz Brückelmann (
QUASE EM PORTUGUÊS)

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