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segunda-feira, setembro 13

 

Pensando no Sofrimento

Há muita coisa na vida que não compreendemos, e que nunca chegaremos a compreender. Mas nem por isso deixamos de tentar perceber o porquê das coisas. O ser humano é incansável na sua busca de uma explicação para tudo ao seu redor.
Desde o inÍcio da nossa existência quisemos saber o porquê da existência das trovoadas, das chuvas, das marés, dos ventos. À medida que nos organizávamos em comunidades fomos questionando aspectos da nossa organização social. Com o desenvolvimento da filosofia e da religião, a quantidade de “porquês” que se podem colocar aumentou ainda mais.
Quando as nossas questões se colocam no plano filosófico ou religioso, as respostas estão sempre longe de ser definitivas; para cada pergunta pode haver mais do que uma resposta, que por sua vez geram ainda mais perguntas...
Vem isto a propósito do tema do sofrimento. Muita gente se questiona o porquê do sofrimento na vida humana. Ao sermos bombardeados diariamente pelos media com imagens de sofrimento um pouco por todo o mundo, ainda parecem existir mais motivos para que as pessoas se questionem: “Se Deus existe, porque é que ele deixa que isto aconteça?”; há ainda os que se resignam: “Deus abandonou-nos! Esqueceu-se de nós...”
Eu não tenho resposta para todas estas perguntas (e desconfiaria de quem dissesse tê-la!). Tenho algumas respostas para mim; algumas baseiam-se na minha experiência de vida e no que observo ao meu redor; outras provêem do meu entendimento do mundo e da vida à luz dos ensinamentos bahá’ís. Naturalmente, estas minhas respostas poderão suscitar mais dúvidas.

Assim, vamos ao tema do sofrimento.
Creio que devemos distinguir o sofrimento pelas suas causas.
Em primeiro lugar, parece-me que o sofrimento é inerente à condição humana; não é possível viver sem alguma espécie de sofrimento. A vida pode ser bela, mas é muito frágil. Nada nos impede de ser vítimas de um acidente natural, ou de uma doença. A vida está feita mesmo assim.
Imagine-se que um sismo provoca a morte várias pessoas; poderíamos concluir que isso é a vontade de Deus? Certamente que não. Mas a vida está feita de forma a que podemos ser vítimas de catástrofes naturais. Talvez numa concepção teológica muito básica poderíamos pensar que Deus deveria intervir sempre que um ser-humano está em perigo. Na minha opinião isso nunca aconteceu, nem vejo motivos para que aconteça.
Para o melhor e para o pior a vida assume verdadeiros aspectos de lotaria; podem sair-nos coisas boas ou coisas terríveis.


Depois há o sofrimento infligido pelos nossos semelhantes. Esse é resultado do livre arbítrio concedido ao ser humano. A guerra, o roubo e a violência são exemplos deste tipo de sofrimento. Neste tipo de sofrimento podemos ter uma intervenção preventiva; sabemos que as origem dos conflitos reside em factores como preconceitos, diferença exagerada entre ricos e pobres, favorecimento de um sector social em detrimento de outro, ambição desmedida de poder, nacionalismo desenfreado. Na prevenção deste problema está a educação.
Uma educação universal obrigatória baseada, por exemplo, nos princípios da Declaração Universal dos Direitos Humanos (e noutras declarações da ONU) poderão ser uma das chaves para a minimização dos conflitos no nosso planeta. Imaginem o que seria este mundo se os valores éticos desta declaração fossem incutidos em todas as crianças desde a mais tenra idade!
A questão do sofrimento e do livre arbítrio recordou-me imediatamente as seguintes palavras de ‘Abdu’l-Bahá’: «Algumas coisas estão sujeitas ao livre arbítrio do homem, tais como justiça, equidade, tirania e injustiça; por outras palavras, boas e más acções. É evidente e claro que estas acções, na sua grande maioria são deixadas à vontade do homem. Mas há certas coisas a que o homem é forçado e obrigado, tais como, o sono, a morte, a doença, a perda de poder, as injúrias e os acidentes; estas não estão sujeitas à vontade do homem, e ele não é responsável por elas, pois é obrigado a suportá-las. Mas na escolha das boas e das más acções ele é livre, e comete-as de acordo com a sua vontade».


O tema do sofrimento não se esgota por aqui. Há outras questões que ainda se podem colocar. Por exemplo: Será sempre necessário sofrimento para conseguir qualquer coisa na vida? Poderemos encarar o sofrimento como um teste? Que outras soluções existirão para minimizar o sofrimento resultante do livre arbítrio? Talvez estas questões possam servir de tema para outras reflexões e outros posts.

Marco Oliveira (
POVO DE BAHÁ)

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