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quarta-feira, setembro 8

 

Em defesa da União Soviética e do Partido Comunista Português

Perante o título acima, a maioria dos leitores concluiu certamente que se trata de uma simples provocação de rentrée para acordar os adormecidos pelas férias estivais.
Nada de mais errado. Trata-se de uma provocação mas não se trata de uma simples provocação. Por detrás do fumo da provocação existe o fogo da simpatia por um certo traço do regime soviético e do PCP. Explico-me.
Começo por declarar expressamente que condeno o totalitarismo, a falta de liberdade, o desrespeito pelos direitos humanos e a ausência de mecanismos democráticos que caracterizaram o sistema soviético. Do mesmo modo condeno esses traços no PCP (para além da simples constatação de que se trata de um partido congelado no tempo que não oferece rigorosamente nenhuma alternativa política).

Mas a experiência soviética traz-nos importantes lições. Talvez a União Soviética não tenha caído pelas razões que comummente se avançam mas tenha caído apenas porque não aguentou o impacto da globalização em convívio com a natureza humana.
Trotzky tinha razão: o socialismo não é possível num só país (prefiro utilizar o termo «comunismo» pelas razões expostas
aqui na Terra da Alegria em 19 de Maio passado – no texto «Partilha»). O comunismo através de mecanismos democráticos só será possível a nível mundial.
Talvez a razão pela qual a União Soviética caiu seja essencialmente a mesma que põe em causa o modelo social europeu: a justiça social.
Quais os traços fundamentais em termos económicos e sociais da União Soviética? Uma economia planificada, extremamente pesada, burocratizada e ineficaz, uma economia em que o mérito e a competência não tinham quase nenhumas gratificações materiais.
Contudo, era também uma economia em que as necessidades básicas se encontravam satisfeitas, em que não havia desemprego, uma economia que se podia considerar, nas condições de pobreza e de carência vividas, como socialmente justa.
Mas uma política fortemente redistributiva é uma variável económica que tende a tornar cada vez mais pobres (em termos de riqueza média) as sociedades relativamente a economias que privilegiem o crescimento em prejuízo da justiça social. Se acrescentarmos às políticas sociais soviéticas, as despesas militares resultantes da guerra fria e uma economia pesada, burocratizada e extremamente ineficaz temos um caldeirão socio-económico insustentável. A visão do crescimento económico ocidental, a abundância, os padrões de consumo ocidentais, traziam um incontido desejo de mudança aos soviéticos. Tal desejo de mudança só era contido através de políticas totalitárias que violavam a liberdade, os direitos humanos e que implicavam a ausência de quaisquer mecanismos democráticos.

Porque defendo então eu a União Soviética? Porque se tivessem existido mais "heróis do trabalho", aquelas pessoas que trabalhavam sem qualquer tipo de gratificação material para elas próprias a não ser a gratificação moral de estar a ajudar a satisfazer as necessidades dos mais desfavorecidos (só que estes heróis, com o seu trabalho, não estavam a ajudar apenas a satisfazer as necessidades dos mais desfavorecidos mas, e sobretudo, estavam também a ajudar a engordar a burocracia – que rapidamente se tornou na burguesia decadente do pós comunismo – e estavam também a ajudar a manter um exército ineficaz e um regime policial), porque se se tivessem respeitado a liberdade, os direitos humanos e os mecanismos democráticos, porque se não existisse um regime económico burocrático, a experiência soviética teria sido talvez uma experiência interessante.
Os cristãos deveriam ser "heróis do trabalho" não no sentido soviético mas no sentido de aplicar o princípio comunista "de cada um segundo as suas capacidades a cada um segundo as suas necessidades". Talvez assim se possa começar a construir a utopia.
E qual o traço essencial do Partido Comunista Português que justifica o meu apoio? Porque defendem os mais desfavorecidos. Apenas por isso.

Timóteo Shel (
TIMSHEL)

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