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quarta-feira, setembro 22

 

Eis como imagino Deus (1)

Há uns tempos atrás o Lutz colocou algumas perguntas pertinentes (como é hábito) num comentário a um dos meus posts:
Se Deus não é omnipotente, a quem ou a o quê atribuis o que está fora do Seu alcance?
Não é, por definição, Deus a origem de tudo?
Existe, para ti, outra instância, ao lado Dele, para além dele?!
Tens dificuldade atribuir a Deus as injustiças da natureza, doenças etc.
Não acreditas na compensação na vida eterna?
O que é quem denominas como Deus? Um ser com quem se pode dialogar? Que é capaz de actos discricionários? E só de bons actos, segundo os teus critérios (que são os meus também...)?

O texto que se segue em três partes (três posts) irá, se Deus quiser, ser publicado ao longo das próximas três semanas. A primeira parte (o post de hoje) é imaginada a partir de um problema matemático conhecido sob o nome de problema de Monty Hall. Todos os textos (o de hoje e os próximos em que imagino Deus) são simplórios, maniqueístas, fantasioso e algo absurdos. São, além do mais, irreais e muito pouco ortodoxos. Não sei aliás se são compatíveis com uma visão católica do mundo. São apenas uma pequena brincadeira que me permite visualizar melhor Aquilo em que acredito.

Segue-se o primeiro texto:
Imagine o leitor deste post que se encontra diante de três portas. Por detrás de duas delas encontra-se o Mal e por detrás da outra encontra-se o Bem.
Pode abrir apenas uma das portas. A abertura de uma das duas portas do Mal implica, nomeadamente, a guerra, a fome, a miséria, o sofrimento e a infelicidade e não é portanto desejável. O objectivo é abrir a porta do Bem para permitir a paz, a bondade, a generosidade, a disponibilidade, a humildade, a felicidade, etc.
Sendo as portas todas iguais (apenas com as letras «A», «B» e «C» respectivamente em cima de cada porta) e nada permitindo saber o que está por detrás de cada uma delas, o leitor não tem outra alternativa senão dirigir-se a uma delas ao acaso, esperando (no óbvio pressuposto que quer o Bem) escolher a porta do Bem e não qualquer uma das duas portas do Mal. Segura na maçaneta da porta «C» para abrir a porta e, nesse momento aparece Deus que lhe diz o seguinte :
«Antes de abrires essa porta vou-te dar uma informação:
Não sei se a porta que vais abrir é uma porta do Bem ou do Mal. Embora se pense que sou omnisciente, na realidade não o sou e não sei se gostaria de o ser. Alguma coisa sei no entanto e julgo que posso ajudar-te: sei que a porta «B» é uma porta do Mal.
Infelizmente, não posso dizer mais nada. Embora muita gente que acredita em Mim julgue que sou omnipotente, tal é outra tolice sem sentido. Posso fazer alguma coisa, mas para fazer muita coisa preciso também de ti. O acaso é demasiado poderoso para, sozinho, poder fazer com que dele só saia o Bem. Apenas a prática humana do Bem me pode ajudar decisivamente a desequilibrar os pratos na balança do acaso e é em termos universais e não por um simples e egoísta sistema de trocas individual que tal se passa. Os meus poderes não vão além de uma simples porta.
Para chegares ao Bem compete-te agora decidir se queres persistir nas escolhas que fizeste inicialmente sem a minha ajuda ou se entendes que deves fazer agora uma escolha diferente daquela que fizeste baseado apenas em ti próprio.
Qual escolhes : a porta «C» determinada apenas pela tua escolha ou a porta «A» que é a tua única alternativa à porta «C» na sequência da minha intervenção? Ou consideras que não te ajudei em nada pois é indiferente escolher uma ou outra porta porque as probabilidades de por detrás de cada uma delas se encontrar o Bem são idênticas?»

Este problema, no seu aspecto puramente lógico-abstracto, abstraindo do carácter divino da intervenção e do contexto religioso da sua formulação, tem duas hipóteses de resposta possíveis, embora só uma delas esteja correcta de um ponto de vista lógico-matemático.
Primeira resposta: Existem probabilidades idênticas de, após a intervenção divina, se escolher a porta certa de entre as portas «A» e «C».
Segunda resposta: Depois da intervenção divina, existem mais probabilidades de acertar na porta certa se mudarmos de escolha da porta «C» para a porta «A».

Apenas para divertimento de quem leia este post, e não saiba ainda a solução matemática do problema ou não esteja disposto a ir à internet vê-la, não coloco hoje aqui a resposta matemática correcta (mas essa também é a que menos interessa aos objectivos desta pequena história). Colocá-la-ei aqui para a semana no post que constituirá a segunda parte deste texto.

Timóteo Shel [TIMSHEL]

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