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segunda-feira, setembro 20

 

Comentário à...

... Carta aos bispos da Igreja Católica sobre a colaboração do homem e da mulher na Igreja e no mundo
(recebido por e-mail)

É este o título dum documento assinado pelo cardeal Joseph Ratzinger, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, cuja leitura atenta se recomenda vivamente, não tanto pelo que diz, mas talvez e sobretudo pelo que (ainda) não diz, mas que já se vai percebendo por entrelinhas e na preocupação de abordar estes assuntos e porque demonstra o rumo que (já) se prevê incontornável em relação à “colaboração (do homem e) da mulher na Igreja…”
É a este documento que me proponho fazer um comentário, mas há sempre um receio em dar uma opinião sobre assuntos de Igreja, parece que se está a entrar em assuntos de Fé, onde podemos influenciar negativamente outras pessoas e dizer disparates que estão mais que demonstrados e evidentes, para não falar na hipótese de dizer heresias ou blasfémias, ou correr o risco de ser excomungado. Pois bem, dando assim um pouco de liberdade à pena, quer dizer ao teclado, e indo um pouco ao sabor do balanço, aceitando o desafio que o texto nos provoca e fazendo uma leitura como se estivesse a ser demonstrado o contrário…
Penso que nunca tinha lido um documento assinado pelo Cardeal Joseph Ratzinger que, criticado por uns e elogiado ou temido por outros, como Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, se dizia que estava muito bem posicionado para substituir o actual Papa João Paulo II e que conduzia aquela Congregação com mão de ferro, talvez comparável a um possível actual presidente do tribunal central de Inquisição soft dos tempos modernos, mas frente ao qual ninguém desejava ficar na lista negra.
Pois agora com este documento
se verifica que o Cardeal Ratzinger argumenta com grandes conhecimentos, concretamente na área antropológica e bíblica, é um homem que reflecte nos actuais problemas da Igreja e que parece pensar bastante na questão das mulheres, o que, já de si, é (um muito) bom sinal.
Nesta Carta vem dizer aos Bispos de todo o mundo (é a eles que esta carta se dirige) a vossa posição deve continuar a ser esta, como se se temesse que pudessem começar a vir reflexões ou opiniões diferentes. E é aqui que se podem começar a ler as entrelinhas.


Mas vamos ainda um pouco atrás. A Igreja é (continua a ser) uma Organização que tem na sua base e estrutura o homem celibatário. O sexo ou mais exactamente o prazer sexual é algo com que a Igreja ainda se debate com alguns preconceitos ou tabus a resolver. A mulher é um ser criado à imagem e semelhança de Deus - tal como o homem - e com igual dignidade e com os mesmos direitos e deveres na família, na sociedade, no trabalho, na política… e na Igreja também é quase igual!
O casamento ainda tem riscos imponderáveis. Demasiados!

A Igreja, como Organização e estrutura, é mantida apenas por homens, que a mantém e da qual se mantêm, num equilíbrio com um cavalheirismo suficiente para se manter, com algumas estaladelas de verniz e escapadelas por aqui ou por ali, ainda assim compreensíveis no ser humano.
Em Cristo o poder tem um sentido do serviço! No homem o poder tem a tentação do domínio do outro… e isso é mau! É mau no homem em relação à mulher, tal como é mau na mulher em relação ao homem. Ou em qualquer outra situação, quer seja no casamento, na sociedade, no trabalho, na política, na Igreja, etc. Isto é mau e não é preciso complicar muito as coisas com elaborados argumentos para se perceber que é mau.
É fácil carregar a cor da tinta e escurecer a leitura (fora do contexto) que se faça do passado sublinhando apenas o domínio exercido pelo homem sobre a mulher, por exemplo no casamento, já os domínios da mulher sobre o homem serão mais difíceis de perscrutar, mas não deixarão, por isso, de ser violentos e desumanos. E ambos são maus!

Pertencemos a uma cultura em que a mulher sempre foi mais da casa e dos filhos e o homem mais da rua e do sustento. O emprego desafiou a mulher para a rua e a sua participação no trabalho e na sociedade pô-la ao lado do homem, desafiando-o no seu espaço, (e em muitos casos superando-o) e autonomizando-a no sustento. Perderam importância a casa e os filhos. A mulher sente-se mais igual ao homem, fazendo disso coluna da sua realização e felicidade, e o que perdeu… é significativo?
Na sua luta e conquista ainda falta à mulher ser padre ou bispo, são as próximas barreiras a vencer… Visto deste modo é pobre! Parece um argumento de domínio, de poder, não de serviço. Parece uma conquista, com a derrota de alguém.

No documento que nos é dado ler faz-se o elogio da mulher como ser humano, igual ao homem, criada por Deus e, tal como o homem, criada à sua imagem e semelhança. Iguais em dignidade, em direitos e deveres! Colocada assim, e ainda bem, ao lado do homem, tal como Deus a criou.
Parece soar a oco não reconhecer essa igualdade na Igreja.
É esta a contradição do documento. A argumentação está lá. A conclusão é que (ainda) falta. Ao centrar o problema, no ponto 2, o autor parece dizer: as mulheres não deviam ser tão arrogantes, deviam ser mais humildes.
No ponto 5, nos argumentos fundamentais da antropologia bíblica, pode-se fazer uma leitura paralela, entre linhas, como sendo a justificação de que os padres deveriam casar. O quadro afinal parece outro daquele que se desejava pintar.
Parece sempre fácil ler aqueles argumentos como se eles estivessem e ser usados para demonstrar a posição contrária. Afinal o que testemunha Jesus Cristo, o que é seu sinal; o que demonstra o amor de Deus pelo homem… Pode ver-se espelhado no casamento, no homem ou na mulher…«E serão meus discípulos»...!
Afinal quando Cristo disse «fazei isto em memória de mim», não penso que estivesse a excluir as mulheres e imagino no futuro poder ser uma mulher ou um homem ou mesmo um casal a fazê-lo conjuntamente, na Paróquia ou em família na celebração do aniversário do seu Matrimónio. Uma comunidade que se reúne para celebrar e testemunhar a sua Fé, em nome de Cristo!
Aqui d’el Rei que o Cristianismo pode saltar para fora da Igreja!
Ou será que a Igreja (ainda) poderá ser diferente?

Luís Almeida - leitor

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