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quarta-feira, setembro 29

 

Carta aberta aos bispos portugueses (regresso à Madeira - 2004)

A Madeira mudou muito, desde 1995 - e continua a mudar: é um imenso estaleiro, nestes dias que antecedem as eleições regionais. Por causa das eleições, que os seus líderes não escondem a causa e efeito. E graças aos fundos comunitários e à dívida que se acumula para com o Governo central da República.
Porque falamos disto na Terra? Porque a Igreja é conivente com o mais triste que o Poder da Madeira tem. Depois dos nossos relatos (
1991-1992/1995-1996), depois da missa crismal que o Bispo deixou a meio para inaugurar um hotel, só faltava Alberto João Jardim subir ao púlpito.
E podemos fazer da Terra casa de um manifesto político? Podemos. E devemos. Esta terça-feira o «Público» relata-nos, pela pena conhecedora de Tolentino de Nóbrega, que «
Jardim [Discursou] do Púlpito na Inauguração da Igreja».
Por que nem todos vão ler a notícia (mas recomenda-se a sua leitura na íntegra por fazer uma boa resenha daquilo que é a Madeira e a Igreja madeirense), retiro algumas das passagens mais significativas:
1. «O bispo do Funchal, Teodoro Faria, na homilia que proferiu domingo na inauguração da igreja dos Álamos, enalteceu o espírito criativo e construtivo do presidente do governo regional, elogiou a "política autonómica" e deu "graças a Deus" pelo apoio concedido para a construção daquele templo, o décimo quarto edificado na governação de Alberto João Jardim, apesar do decréscimo demográfico e da cada vez mais baixa participação dos fiéis madeirenses em actos litúrgicos.Também o pároco Manuel Luís destacou sua "visão do desenvolvimento global e harmonioso da região".»
2. «Do púlpito, junto ao altar, o presidente madeirense, Alberto João Jardim, retribuiu com elogios ao bispo, pela sua "visão de colocar estruturas de apoio social e estruturas educacionais que acompanham as grandes mudanças que se deram na região autónoma"».
3.«Muito generosos têm sido os subsídios atribuídos à igreja católica nos anos de eleições regionais - 3,4 milhões em 1996 e quase nove milhões em 2000 -, que ocupa a terceira posição (14,1 por cento do total) na tabela de subsídios que é liderada pelo desporto (30,3%), seguido pelos apoios extraordinários concedidos às câmaras (24,4%). Apesar da quebra registada em 2003 para apenas 2,6 milhões de euros, este montante deve triplicar no corrente ano, também marcado por nova ida às urnas, pois o orçamento regional pôs de lado qualquer restrição nos apoios destinados a financiar a construção de novas igrejas, casas paroquiais, aquisição de viaturas e contratação de pessoal».
É necessário dizer basta! Esta não é a Igreja que queremos, não é este o poder que a Igreja serve. Contradigo-me com aquilo que defendi, nesta Terra, nos meus dois textos anteriores? De que os padres têm algo a dizer sobre política? Sim, têm. Mas na lógica de denúncia, ou na linha daquilo que defende o padre José Luís Rodrigues, no semanário (madeirense e independente da Diocese) de informação religiosa "Areópago", citado no mesmo artigo do Público. Diz o sacerdote: «Alguma Igreja também se deixou amordaçar pela lógica do poder e pelos interesses materiais: falamos de ordenados chorudos auferidos por membros da igreja que assumiram cargos ligados a instituições da tutela política, construção de igrejas, centros paroquiais de dia e lares para idosos, subsídios para tudo e para nada e de uma série de mordomias que presentearam as diversas estruturas da sociedade madeirense nos últimos anos.» E denuncia: «Os espaços da Igreja estão reduzidos ou afunilados a uma pressão cruel por algumas forças sociais e políticas.»
Daqui fica pois o apelo final aos bispos portugueses: não se preocupem em proibir concertos ou outras manifestações culturais nos espaços das igrejas. Proíbam antes o exercício de um poder cego e opressor, que ainda abusa do púlpito para se fazer ouvir. Na Madeira de 2005.


Miguel Marujo [CIBERTÚLIA]

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