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quarta-feira, julho 28

 

PERGUNTAS (RETÓRICAS)

Um dos conceitos mais estranhos que utilizamos no nosso dia a dia é o conceito de culpa.
Mas, o que é a culpa?
Quando se pode dizer que temos culpa?
 A culpa é alguma espécie de rótulo para uma escolha errada?
Podemos escolher?
Uma criança que nasce com uma predisposição genética para comportamentos criminosos, tem culpa?
Uma criança cujos pais não lhe dão qualquer tipo de afecto ou de atenção, cujos professores a marginalizaram completamente, que cresceu num ambiente social e económico degradado em que os comportamentos criminosos são vistos como uma atitude valorizada, e depois comete um crime, tem culpa?
E em situações não tão extremas, podemos nós descobrir a culpa? O comportamento criminoso (ou outro qualquer) é algo que não seja apenas o produto do acaso e das circunstâncias em que nascemos,  crescemos e vivemos? E esta não são também o produto do acaso?
Alguém pode escolher?
Escolher os pais?
Escolher o meio?
Escolher as determinantes genéticas?
Escolher as condições e as circunstâncias em que nascemos e em que vivemos?
Se podemos escolher, quando é que podemos escolher?
Quando nascemos?
Quando crescemos?
Se escolhemos, como escolhemos?
Porque fazemos certas escolhas e não outras?
Baseados em que alternativas?
Aquilo que escolhemos é apenas o produto das nossas determinantes ou predisposições  genéticas, das condições em que nascemos e vivemos e das circunstâncias em que vivemos?
O acaso existe?
Se a Fé é uma mistura de misticismo e de ética (como li algures)  poder-se-á ver a Fé como uma mistura de misticismo ligado à natureza do acaso e de ética cuja essência seja a bondade e o estar ao serviço dos outros?
Será o cristianismo uma religião em que apenas eu sou responsável pelo Mal que pratico e em que quando os outros praticam o Mal são apenas o produto do acaso?
Fará isto sentido?
Será apenas esta a perspectiva em que o perdão total faz todo o sentido?
Apesar de (ou precisamente por) este post ter como título “Perguntas (retóricas)” gostava de o terminar com algo que não fosse uma pergunta. Pensei, escrevi, tornei a reescrever e não estava satisfeito. Escrevi na madrugada de domingo passado. Decidi desistir e deixar o texto assim. Tomei banho e fui à missa dominical da manhã. Na homília o padre explicou o que era e o que não era a oração. Oração não é pedirmos a Deus que Ele faça algo que eu quero para mim próprio. Oração é pedirmos a Deus que Ele faça através de mim aquilo que Ele quer. 

Timshel (TIMSHEL)

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