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quarta-feira, julho 21

 

OPERAÇÃO VALQUÍRIA

Passam hoje sessenta anos sobre a execução da Operação Valquíria, o nome de código do plano para assassinar Hitler, Himmler, Göering e Goebbels, levado a cabo por um grupo de oficiais alemães.  Uma bomba-relógio foi colocada dentro de uma mala que um jovem tenente-coronel de 27 anos de idade, Claus Schenk von Stauffenberg, escondeu no quartel-general de Hitler, em Rastenburg, Prússia Oriental. A bomba explode às 12:42 h. Morrem quatro oficiais do comando e sete ficam gravemente feridos. Hitler praticamente não é atingido, pois a mala-bomba havia sido desviada por um oficial.
Desconhecendo o malogro da operação, pois acreditam que Hitler está morto, Stauffenberg e os outros conspiradores assumem o controle do quartel quartel-general em Berlim mas, mais tarde, recebem a notícia de que o atentado falhara e que, mais uma vez, Hitler escapara da morte. O general Ludwig Beck, líder da conspiração, comete suicídio. Stauffenberg é preso e fuzilado ainda nesse dia.
 
Em 1937, o Papa Pio XI havia publicado a encíclica Mit brennender Sorge (Com urgente preocupação), onde declarava que a fé cristã não pode admitir a divinização de uma raça ou de um Estado. No ano seguinte, quando Hitler visitava a Itália, o mesmo Papa Pio XI retirou-se para a Castel Gandolfo e declarou sua tristeza ao ver em Roma «a insígnia de uma outra cruz, que não era a cruz de Cristo».
 
Já em 8 de Outubro de 1939, poucos meses depois do início da Segunda Guerra Mundial, Georg Elser, de 36 anos, planeou e executou sozinho um atentado à bomba contra Hitler, numa cervejaria em Munique, onde Hitler discursava com regularidade. Morreram oito pessoas, 63 ficaram feridas, mas Hitler escapou, pois abandonou o espaço 13 minutos antes da deflagração da bomba.
Georg Elser, um carpinteiro com ligações à resistência comunista alemã, e cujo irmão tinha morrido num campo de concentração, tinha começado a trabalhar numa pedreira com o único objectivo de conseguir dinamite para perpetrar o atentado.
Elser foi preso na mesma noite, quando tentava fugir para a Suíça, e foi morto em 1945, por membros da Gestapo.
 
Hoje é dia do profeta Elias, cujo nome significa Meu Deus é o Senhor. Elias foi um dos maiores profetas do Antigo Testamento e viveu no século IX a.C. Elias insiste em afirmar «o Senhor Deus de Israel é único e que não existe outro Deus senão Ele», opondo o Deus único aos ídolos e divindades cósmicas dos cananeus. Para Elias, a quem Deus se manifestou como uma brisa suave, tudo deve estar submetido ao Deus único e verdadeiro, pelo que a religião, a moral e a política devem ser usadas contra a tirania do absolutismo.
 
Não nos interessa aqui percorrer a questão moral levantada sobre o assassinato de Hitler – o conflito entre regras morais pretensamente absolutas – mas apenas louvar a coragem do martírio cristão (e não só) naqueles tempos difíceis. Os leigos e clero alemães foram dos grupos mais perseguidos, mas esquecidos da grande História. A diocese de Paderborn é um exemplo: dos seus 1.400 padres, 868 entraram em conflito com o partido nazi, 67 passaram anos no cárcere e 23 foram enviados a campos de concentração.

Uma palavra para o teólogo luterano Dietrich Bonhöffer. Quando a sua Igreja, em reunião para o efeito, aceitou a lei que decretava a raça ariana como única e oficial – o parágrafo ariano da lei, imposta a todos os cidadãos e instituições – o pastor Bonhöffer protestou publicamente. Para ele, o anti-semitismo era absurdo: «Do ponto de vista evangélico, excluir da nossa Igreja os fiéis de origem hebraica é algo impensável”. Resistindo publicamente ao racismo e testemunhando contra as «traições da Igreja, morreu condenado à forca em 1945.
E muitos mais. O Pe. Bernard Lichtenberg, presidente da Liga Católica Alemã pela Paz, que denunciou o regime nazi ainda antes deste chegar ao poder. Em 1935 - quando vieram a público as atrocidades praticadas no campo de concentração de Esterwegen - o padre Bernard foi pessoalmente ao chefe da Gestapo e entregou-lhe uma nota de protesto. Na manhã seguinte à noite dos cristais a polícia nazi cercou a catedral de St. Hedwig para pressioná-lo a calar a sua voz crítica. Como resposta, nessa tarde, abriu o ofício litúrgico dizendo «o que aconteceu na noite passada, todos nós sabemos. O que acontecerá amanhã, não podemos saber. Mas o que ocorreu hoje, nós presenciamos: lá fora, queima a Sinagoga… Também ela é casa de Deus».
Preso em 1941, o Pe. Bernard Lichtenberg declarou no julgamento que preferia obedecer a Deus que aos homens. Morreu de exaustão, quando era transferido para o campo de concentração de Dachau, em 1943.
Muitas vezes e em circunstâncias diversas, o martírio uniu no mesmo testemunho cristãos de Igrejas diferentes. É o caso, por exemplo, dos quatro eclesiásticos que foram presos, em 1942, em Lubeck (Alemanha). Karl Friedrich Stellbrink, pastor luterano, foi encarcerado devido às suas pregações de protesto. Com ele, foi também detido o seu amigo católico Johannes Prassek, pároco da Igreja do Sagrado Coração. Em seguida, foram levados mais dois padres da mesma paróquia. Foram todos condenados à morte em Julho de 1943. Enquanto esperavam a execução, clamaram juntos: «Fidelidade eterna a Cristo, nosso Rei». Também M. J. Metzger, pioneiro do ecumenismo e animador do movimento de resistência anti-nazi Rosa Branca, que agrupava católicos, luteranos ortodoxos. Foram decapitados em 1944: o ecumenismo que praticavam era considerado contrário ao nazismo.
 
O poder absoluto dá-se mal com a diversidade e união das Igrejas.
 
Carlos Cunha (PARTÍCULAS ELEMENTARES)

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