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quarta-feira, julho 28

 

NUNO TEOTÓNIO PEREIRA: CIDADÃO E ARQUITECTO

Fui há dias ver a exposição que está no Centro Cultural de Belém, sobre a obra de Nuno Teotónio Pereira, intitulada Arquitectura e Cidadania. É a retrospectiva do trabalho de um arquitecto com mais de 50 anos de carreira e a prova de que é possível lutar por uma construção que tenha em conta o bem estar individual e colectivo das pessoas.
Em entrevista recente (Jornal de Letras, n.º 880 de 23 de Junho), Teotónio Pereira, com 82 anos, afirma que esta exposição veio na melhor altura, pois ainda não se reformou, mas já está perto disso.
Na mesma entrevista, o arquitecto refere que já não se considera católico, mas que o foi durante muitos anos de uma maneira militante e activa. E a sua obra reflecte esse empenho na construção duma sociedade mais justa e de uma Igreja mais unida e interveniente. De facto, na sua profissão, Nuno Teotónio Pereira, tem-se batido para que os edifícios sejam lugares onde as pessoas se sintam bem e que se enquadrem no seu contexto de cidade, que permita a habitação de qualidade a todos e introduzindo a beleza da arte. Bateu-se também pela adaptação dos espaços litúrgicos às novas realidades de Igreja que passam pelo encontro do crente com Deus e das pessoas umas com as outras, integrando esse espaço numa envolvência de outros aspectos da acção dos fiéis e não omitindo a longa tradição da arte religiosa, antes recontextualizando-a. Foi fundador do Movimento de Renovação da Arte Religiosa, contribuindo assim para uma reflexão séria neste campo tão importante da vivência da fé.
Mas a sua acção militante e cívica não se resume ao exercício da sua profissão, prolonga-se na intervenção firme de cidadão que intervém e que luta contra as injustiças. Criou, antes do 25 de abril, com outros católicos a Cooperativa PRAGMA, espaço livre de debate e reflexão sobre temas pertinentes, tais como a liberdade de expressão ou a guerra colonial e participou noutros movimentos de oposição ao regime tendo sido inclusivamente preso na sequência da famosa vigília do dia da paz na Capela do Rato.
Mesmo sem nunca ter formalmente leccionado, Teotónio Pereira é uma referência de mestre na arquitectura para as gerações que se lhe seguiram, criou um estilo de atelier colectivo que quase se pode dizer comunitário, envolvendo colegas de várias gerações e dando espaço à criatividade pessoal de cada um.
Creio que, mesmo já não se considerando católico, Nuno Teotónio Pereira continua a ser uma referência e um exemplo para os católicos do nosso tempo.

Notas:
1) a exposição está no Centro Cultural de Belém até dia 31 de Outubro e conta com o alto patrocínio do Presidente da República;
2) "O Instituto Português do Património Arquitectónico vai classificar a igreja de Águas, em Penamacor, e a igreja do Sagrado Coração de Jesus, em Lisboa, dando assim um contributo fundamental para que estas obras do presente possam ficar na história.
As igrejas têm a assinatura do arquitecto Nuno Teotónio Pereira (na igreja do Sagrado Coração de Jesus em parceira com Nuno Portas) e estão já abrangidas pelo estatuto de bens protegidos, estatuto que vai manter-se até que termine o processo de
classificação, da responsabilidade do IPPAR." (informação da Agência Ecclesia, 6 de Julho de 2004)
3) em 1996 o jornal Público editou um livrinho intitulado “Tempos, Lugares, Pessoas”, que reúne um valioso conjunto de artigos de Teotónio Pereira, sobre diversos assuntos, para aquele diário. Pelo menos em Lisboa é relativamente fácil encontrá-lo em alfarrabistas ou nas feiras de escoamento de fundos editoriais, a preço muito acessível.


Rui Almeida (RUIALME)

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