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quarta-feira, junho 9

 

VINHO

Joris-Karl Huysmans, escritor pagão convertido ao catolicismo, que viveu no princípio do século XIX e princípio do século XX, elogiou por diversas vezes o vinho como uma substância sacramental que é exaltada várias vezes na Bíblia. Amá-lo era portanto, para este escritor, digno, justo e salutar. Foi também Fleming, o inventor da penicilina que disse que embora a penicilina cure os homens, é o vinho que os torna felizes.

Uma das grandes ficções da história da humanidade consiste na ideia segundo a qual o vinho velho é superior ao vinho novo.

É verdade que podemos encontrar no Evangelho um episódio que parece confirmar esta tese. Convém contudo contextualizá-lo.

No Evangelho segundo São Lucas, o que Jesus diz textualmente é:

"E ninguém, depois de beber vinho velho, deseja vinho novo, porque diz: o velho é melhor."

Isto é, não é Ele que o diz mas sim uma hipotética pessoa (“ninguém”). O contexto completo desta frase é ainda mais esclarecedor:

"36 Jesus contou-lhes ainda uma parábola: «Ninguém recorta um remendo de roupa nova para remendar roupa velha; senão, vai rasgar a roupa nova e o remendo novo não combina com a roupa velha.
37 Ninguém coloca vinho novo em barris velhos; porque, de facto, o vinho novo rebenta os barris velhos, derrama-se, e os barris perdem-se.
38 O vinho novo de-ve ser colocado em barris novos.
39 E ninguém, depois de beber vinho velho, deseja vinho novo, porque diz: o velho é melhor»."

Tudo isto demonstra que não é liquido que o vinho velho seja superior ao vinho novo. Penso aliás que é precisamente ao contrário. Cada vinho tem o seu ponto óptimo de consumo e uma vez este ultrapassado, já só está a perder qualidades. Ora, a experiência diz-me que ao fim de um ou dois anos todo o vinho começa a piorar.

Uma outra questão importante em torno do vinho é saber se Jesus não bebia vinho mas sim sumo de uva. Certos protestantes acham que Jesus só bebia sumo de uva. Não sei se é uma crença generalizada a todos os protestantes, se é um dogma protestante ou um simples rumor.

Ora, qualquer pessoa com um mínimo de discernimento sabe a diferença que existe entre um sumo e uma bebida fermentada. O vinho é resultante de uma longa e muito complexa elaboração, que os homens levaram séculos a dominar. O vinho não é sumo pois não resulta apenas do espremer da uva. Os povos da bacia mediterrânea sempre foram exímios produtores de vinho, que não é resultado de um simples espremer da uva.
Nas bodas de Canã, Jesus após ter transformado a água em vinho, disse: «Agora tirai e levai ao chefe de mesa». Então levaram ao chefe de mesa e este após ter provado a água transformada em vinho, chamou o noivo e disse: «Todos servem primeiro o vinho bom e, quando os convidados estão bêbedos, servem o pior. Tu, porém, guardaste o vinho bom até agora».

Se o chefe de mesa sabia distinguir entre o vinho bom e o vinho ruim, isso quer dizer que ele era um apreciador. Conhecia o que era o vinho.

Por outro lado, se os convidados nas bodas de Canã só bebiam sumo de uva, como é que se diz que os convidados ficavam embriagados?

Por acaso, já se viu alguém ficar embriagado com sumo de uva? Só se o sumo de uva fermentou, e o sumo de uva fermentado não é sumo de uva mas sim vinho.

Fica provada, assim, a ignorância desses protestantes hereges, que nem sabem diferenciar sumo de uva e vinho, nem diferenciar a verdade da mentira.

Vejamos agora o orgulho que eles revelam ao dizer que Cristo fez sumo de uva e não vinho.

Os protestantes afirmam que crêem na Sagrada Escritura, e que ela é a palavra de Deus. O próprio Deus, afirmam eles com razão, é o autor das Sagradas Escrituras.

Mas, depois, para justificar as suas heresias e os seus delírios, eles dizem que Deus é tão ignorante que nem sabe o que é vinho e o que é sumo de uva, e que a palavra de Deus no Evangelho está errada. Onde a palavra de Deus diz vinho, dever-se-ia ler sumo de uva. Eles querem corrigir Deus e o Evangelho.

Com isto, se prova que eles não crêem em Deus, nem na sua palavra. Eles só acreditam no que querem. Acreditam em si mesmos e na sua própria opinião, não em Deus e na Sua palavra.

Três conclusões. Primeira: num momento em que falta a inspiração para escrever, a internet e o vinho velho são de grande ajuda. Segunda: o vinho velho e o ecumenismo são incompatíveis. Terceira: normalmente, o vinho é para se beber moderadamente.

Timshel (TIMSHEL)

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