<$BlogRSDURL$>

 

 

 

   

 
 

terra da alegria


 
 
timshel guia dos perplexos cibertúlia poesia distribuída na rua a bordo baixa autoridade
 
     

quarta-feira, junho 23

 

QUASE

Nota introdutória: este texto foi motivado por alguns textos que foram saindo aqui na Terra, e em particular pela pena do Quase em Português.


Lendo a terra da alegria às quartas, alguns temas vão aparecendo. Um deles, a ligação do catolicismo ao tempo presente. Lendo a terra às segundas podemos encontrar Deus como tema recorrente. Está bem. A problemática religiosa vive num triângulo: Deus, a Igreja e o tempo. Este triângulo multiplica os problemas, mas é também quem fornece a consistência quando qualquer lado tem um tratamento preferencial.

Há muito tempo atrás, perguntava a um amigo se o cristianismo não se poderia reduzir ao segundo mandamento: ama o teu próximo. Advogava um princípio de economia. Se como é dito, o primeiro e o segundo mandamentos são semelhantes, para que precisamos de dois? – Porque não ficar apenas com aquele que parece ter mais pertinência e trazer menos problemas ao tempo que vivemos? - Porque é que não ficamos com a influência cristã e deixamos de lado as complicações de assumir o erro e a problemática da vida comunitária?

Quando respondemos que sim, sim é por isso que vamos ficar, começamos a viver no registo do quase. Este registo solicita habitualmente pelo menos alguma irritação por parte daqueles que pretendem uma vivência religiosa cumprida nas suas três vertentes: crença em Deus, Igreja e acção no tempo. Perguntam: como é que alguém que acredita em Cristo fica longe da comunidade daqueles que também acreditam?

Isso é coisa que quem vive fora da comunidade tem de responder. E não adianta obrigá-lo a responder do modo diferente do modo como responde. A evangelização pode ser muitas coisas. Mas não é certamente – por muito que possa parecer - um exercício de força.

Se é o que é, a evangelização tem de partir do princípio de que o outro tem já – e de um modo que o ultrapassa - as portas abertas. Não é o evangelizador que vai abrir nada. Se São Paulo soubesse que viajava para deparar com portas fechadas, pura e simplesmente não teria feito as viagens que fez. Se ia e deparava com portas abertas, o trabalho de as abrir não podia considerá-lo seu.

O quase à comunidade é um resto que existe no outro e que não deve ser desperdiçado. É uma semente que a qualquer momento pode germinar... Aqui seria bom que uma ilusão corrente fosse largada. Nenhum cristão se pode dar ao luxo, ao mérito ou desespero de pensar que pode tornar um outro cristão. Isso é uma das lições que não devia ser esquecida na ênfase protestante da importância da Graça de Deus.

Fernando Macedo (A BORDO)

sementes da terra
 
mail
 
 
anteriores
04.2004
05.2004
06.2004
07.2004
09.2004
10.2004
11.2004
12.2004
01.2005
02.2005
03.2005
04.2005
05.2005
06.2005
07.2005
08.2005
09.2005
10.2005
11.2005
12.2005
01.2006
02.2006
03.2006
04.2006
05.2006
06.2006
07.2006
08.2006
12.2006
 

 

 
 

terra da alegria. 2004.


 

This page is powered by Blogger. Isn't yours?