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quarta-feira, junho 2

 

A OUSADIA DA ORAÇÃO

Segundo o Missal Romano, a frase com que o celebrante introduz a recitação do Pai Nosso inclui o verbo ousar: “Fiéis aos ensinamentos do Salvador, ousamos dizer”. Parece-me que, apesar de estar escrito e explícito, o verbo não é muito utilizado nas nossas Missas. Os celebrantes preferem fórmulas mais simpáticas ou acessíveis. Aliás, a ousadia não é coisa entendível pela banalidade dos nossos dias.
No entanto creio que aquela palavra assume um valor inestimável pelo que significa e pelo que pressupõe de mensagem profunda.
O texto a que chamamos “Pai Nosso” é uma síntese que o próprio Jesus faz dos ensinamentos sobre a oração: em Mateus (6, 7-13) na sequência do Sermão da Montanha e em Lucas (11, 1-4) como resposta a um pedido dos discípulos.
Essas palavras foram tomadas desde cedo como “fórmula” privilegiada de oração. Os cristãos guardavam essas palavras como fonte de sabedoria. A oração só era transmitida aos baptizados e nunca a estranhos. Com a expansão do cristianismo tornou-se de uso mais comum e mais público, até chegar aos nossos dias vulgarizado como uma entre outras orações que se sabem de memória.
Mas sempre foi, necessariamente, um princípio claro que o cristão tem de interiorizar para se poder relacionar com Deus, apesar dos usos mais ou menos supersticiosos que se lhe foram dando ao longo dos tempos.
Creio que o verbo ousar faz todo o sentido quando se trata de nos relacionarmos com esse Deus que é Pai e que é de/para todos nós. Ousadia implica uma vontade interior, uma espontaneidade, um vigor e uma determinação essenciais para esse dizer que, por sua vez, implica comunicação e diálogo e que não se resume ao simples pronunciar de palavras, mas que necessita ser entranhado naquilo que somos para que possa transbordar para os outros de maneira consequente. A ousadia requer também uma dinâmica de criatividade que liberta da monotonia.
Não se trata, pois, apenas de pormenor ritualístico, mas de palavra que merece aprofundamento na vida de cada um e na de nós todos enquanto Comunidade.

Rui Almeida (RUIALME)

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